COIMBRA, 16 de Outubro de 2019

FCTUC lança campanha de sensibilização sobre o percevejo asiático

10 de Outubro 2019

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) encontram-se a realizar uma campanha de sensibilização sobre praga do percevejo asiático.

Além da vespa asiática, para os investigadores há outro combate que tem de se travar e discutir: o percevejo asiático (Halyomorpha halys), “um insecto muito problemático, que com certeza, vai

incluir Portugal na já longa lista de países invadidos em todo o mundo”, alerta um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

Para sensibilizar a população em geral, e os produtores agrícolas em particular, uma equipa do “FLOWer Lab” (Centre for Functional Ecology), da FCTUC, iniciou uma campanha de sensibilização sobre a problemática desta praga.

A campanha, inserida no projeto “i9Kiwi”, inclui vários materiais de divulgação, entre os quais panfletos acerca do percevejo asiático, difundidos em formato físico ou através das redes sociais, bem como a realização de comunicações públicas e publicações técnicas, alertando para a problemática deste insecto.

Os investigadores apelam, também, à participação de todos os cidadãos, “na melhor filosofia de uma ciência verdadeiramente inclusiva e cidadã, através da partilha no grupo de Facebook “Percevejo asiático (Halyomorpha halys) PT” ou via e-mail (h.halys.i9k@gmail.com), de fotografias de possíveis avistamentos do insecto.

Segundo os especialistas, o percevejo é nativo do oeste asiático e foi introduzido, acidentalmente, nos continentes americano (nos EUA em 2001 e no Chile em 2017) e europeu (Suíça em 2004), tendo expandido a sua distribuição a partir destes pontos de introdução, contando já com 22 países invadidos.

“Apesar das populações estabelecidas mais próximas estarem na Catalunha (Espanha) desde 2016, no início de 2019, o insecto foi interceptado na região de Pombal, em equipamento agrícola importado de Itália (Fonte – DGAV), país europeu onde se estão a verificar mais prejuízos económicos”, revela a UC.

Para João Loureiro, investigador do “FLOWer Lab”, “o estabelecimento de mais uma praga agrícola no nosso país, especialmente de um insecto picador-sugador capaz de se alimentar em mais de 300

espécies de plantas nas suas diferentes estruturas (frutos, folhas, rebentos…), incluindo inúmeras plantas de interesse agrícola, poderá ter efeitos muito negativos para a agricultura”.

O também docente da FCTUC sublinha que “é durante o período de actividade em que se alimenta (de Abril a Novembro) que inviabiliza comercialmente os produtos agrícolas (provocando cicatrizes, depressões, descolorações, deformações e/ou queda)”, adiantando ainda o especialista que “as perdas a este nível podem chegar a 90 por cento de produção, e culturas agrícolas como o tomate, milho, pera, uva, e laranja, tão relevantes no contexto nacional, podem vir a ser severamente afectadas, sem que haja ainda uma forma eficaz de controlo”.

Ao nível de saúde pública, “a procura do insecto por abrigos, nomeadamente no interior de casas e barracões, para a fase de diapausa (hibernação) durante os meses frios (Dezembro-Março), leva uma concentração elevada de organismos – na ordem dos milhares de insectos- agravada pela libertação de odores nefastos quando perturbados”, salienta.

Por sua vez, Hugo Gaspar, investigador do “FLOWer Lab” e responsável pela produção dos materiais de divulgação e pela identificação dos avistamentos suspeitos, observa que “o clima favorável em Portugal, a rápida progressão observada e os danos agrícolas e de saúde pública com difícil combate, e a intersecção verificada em Portugal no início do ano, tornam imperativo trazer o conhecimento ao público e assim tentar evitar a expansão silenciosa. O estado de alerta é a melhor medida que podemos tomar neste momento e a ajuda de todos é essencial, principalmente através da participação activa dos produtores agrícolas”.

Jornal Campeão das Províncias


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