A sobrecarga na urgência e no internamento covid-19 no Hospital dos Covões, nos últimos dias, levou o PCP a questionar o Governo sobre os “tempos de espera inaceitáveis” naquela unidade hospitalar.
“São reportadas esperas de utentes com covid-19, de mais de 48 horas, sem as mínimas condições conforto e dignidade. A falta de camas de internamento faz com que existam doentes a pernoitar em cadeiras”, denunciam os deputados Ana Mesquita, Paula Santos e João Dias, notando que, para além dos doentes “os trabalhadores da saúde são também afectados, com turnos que vão muito para além do expectável e permitido, com parcas condições de trabalho e um cansaço extremo, que os afecta não só a eles, mas também com inequívoco reflexo no atendimento aos utentes”.
“Como o PCP já tem denunciado, esta situação é fruto do ataque de matriz neoliberal ao SNS, que se tem intensificado ao longo dos anos, e que, em Coimbra, pretende esvaziar o Hospital Geral dos Covões, valioso instrumento, dando espaço a estruturas privadas que prosperam na região”, realçam os deputados, considerando que “a resposta passará sempre pelo reforço dos serviços públicos, em trabalhadores e meios materiais”.
Embora reconheçam que “esta é uma situação excepcional, inserida no combate à pandemia”, afirmam também que “como situação excepcional que é, merece medidas excepcionais, que tardam em chegar”.
Aliás, nesse mesmo sentido, o PCP também já questionou o Governo sobre a ampliação da capacidade de resposta do SNS com o recurso ao Centro de Saúde Militar de Coimbra, mas que até ao momento não obteve resposta.
“Apesar de se ter identificado, já por largas vezes, que o Hospital dos Covões estava muito perto do seu limite de capacidade, as medidas necessárias para a célere resolução deste problema não foram tomadas, deixando trabalhadores e utentes numa situação de grande fragilidade clínica e humana”, frisam os três deputados do PCP.
À ministra da Saúde Marta Temido e ao Ministério, o PCP deixa as seguintes questões: “Tem o Governo conhecimento desta situação? Como a analisa?; Que medidas imediatas e estruturais tomará o Governo para dar resposta à sobrecarga dos serviços?; Vai o Governo proceder ao reforço imediato das equipas? De que forma e com quantos profissionais?; Vai o Governo, através da articulação entre os ministérios da Saúde e da Defesa Nacional, programar a utilização das infraestruturas e capacidade do Centro de Saúde Militar de Coimbra no actual contexto de sobrecarga dos hospitais da região de Coimbra?”.
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