Entraram recentemente em funcionamento as novas salas e anfiteatro de autópsias da Subunidade 3 da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), no Pólo III das Ciências de Saúde.
Trata-se das instalações mais modernas e seguras de que qualquer Faculdade de Medicina do país actualmente dispõe, e que permitem concretizar o ensino prático de Medicina Legal e de Anatomia Humana em condições de total higiene e segurança e nomeadamente no contexto de pandemia que se atravessa.
Para além do ensino prático pré-graduado, esta salas permitirão também a realização de cursos práticos médico-cirúrgicos a nível pós-graduado, realizados em cadáveres, estando equipadas com modernos sistemas audiovisuais e de transmissão.
Estes novos espaços, embora localizados em edifício da FMUC, articulam-se com as instalações da sede e delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal, (INMLCF), comunicando com o serviço de autópsias deste Instituto. Proporcionam, assim, a possibilidade do INMLCF ver ampliado o seu número de salas de autópsias, em caso de eventuais situações de desastre e catástrofe, e de ali ministrar também as suas acções de formação, estendendo ainda a sua capacidade frigorífica de conservação de corpos, quando necessário.
Acresce que o estacionamento da Subunidade 3, que igualmente tem acesso pelas instalações do INMLCF, foi pensado para poder servir como morgue temporária em contextos de desastres e catástrofes envolvendo grande número de vítimas mortais, podendo acolher centenas de corpos e permitir até a sua manutenção nesse espaço, após a instalação de adequado equipamento temporário de arrefecimento.
A situação vivenciada em Coimbra, aquando dos fogos que afectaram o país em 2017 (tragédia de Pedrogão Grande), envolvendo a necessidade de camiões de frio estacionados durante longos dias no Largo da Sé Nova e demoras na execução das autópsias das vítimas por escassez de salas de autópsias nas velhas instalações que o INMLCF ocupava então no antigo edifício da FMUC no Polo I, não se vivenciariam no actual contexto.
Este desenho, articulação e distribuição, foi pensado nos finais dos anos 90 do século passado, pelo Professor Duarte Nuno Vieira, aquando da criação do INMLCF e do início dos projectos de construção das novas instalações do Pólo III e da nova sede do INMLCF, em Coimbra.
“Os novos espaços de disseção e autópsia da FMUC constituem agora um dos seus ex-libris e o melhor espaço neste âmbito de que qualquer Universidade portuguesa dispõe, estando ao nível do que de melhor existe no mundo. São também exemplo de racionalidade, em termos de partilha e rentabilização e recursos, evitando desnecessárias duplicações de espaços”, refere a FMUC.
Jornal Campeão das Províncias
Fotografia de Sara Salgado
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