COIMBRA,18 de Abril de 2026

Programa educativo da Anozero em Coimbra usa o barro para desafiar emoções de alunos

16 de Março 2026 Rádio Regional do Centro: Programa educativo da Anozero em Coimbra usa o barro para desafiar emoções de alunos

O programa educativo da Anozero’ 26 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra propõe a utilização do barro para desafiar as emoções de centenas de estudantes de três escolas secundárias da cidade, levando-os a reflectir sobre os tempos actuais.

Uma das iniciativas divulgada intitula-se “Anozero Vai às Escolas” e parte de uma instalação do artista visual e educador Pedro França, desenvolvido em colaboração com 24 alunos da escola secundária José Falcão.

A instalação, segundo contou o coordenador do programa educativo, José Cabrera, “reflecte sobre as noções de migração e deslocamento na contemporaneidade”, através de acções “que traduzem emoções e experiências associadas à mobilidade humana e à deslocação”.

Juntos, o artista plástico e os estudantes, criaram uma instalação, tendo por base a argila, “como um material que permitiu receber expressões performativas [por poder ser amassada, pisada, esticada ou modelada], ligadas ao tema da migração, que nela ficaram gravadas”, explicou Jorge Cabrera.

Deste modo, os jovens artistas – quer uns com familiares a residir fora de Portugal e outros que chegaram ao nosso país, vindos de diferentes países (como o Brasil, Angola ou Ucrânia, entre outros) – utilizaram a superfície da argila crua para expressarem as suas emoções, manipulando o barro para mostrarem experiências e vivências próprias ou alheias.

Por outro lado, uma das preocupações do também coordenador do programa educativo do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, um dos promotores da Anozero’26 – evento que decorre entre 11 de Abril e 05 de Julho, sob o tema “segurar, dar, receber” – foi a de “aproveitar ao máximo” a deslocação à bienal de artistas ‘estranhos’ à cidade (Pedro França, por exemplo, é brasileiro e nasceu no Rio de Janeiro) para “criar um diálogo de aproximação com a comunidade” local.

Adjacente à instalação que já esteve na secundária D. Duarte – onde envolveu 305 estudantes entre os 14 e os 18 anos -, está actualmente na José Falcão e chegará à escola Avelar Brotero a 14 de Abril, são promovidos dois laboratórios de criação, um também relacionado com a argila, embora com finalidade diferente da instalação artística.

“O laboratório convida outros estudantes a terem a mesma experiência dos [originais] 24 alunos. Só que, neste caso, trabalhamos mais a questão do desapego, no sentido em que o resultado já não vai ao forno [instrumento onde são finalizadas as peças cerâmicas da exposição itinerante] mas antes para um espaço exterior à escola, onde a chuva, o vento e o tempo vai desintegrando as peças”, observou Jorge Cabrera.

“O barro é destruído e passa à terra, há também essa experiência de transformação”, adiantou, aludindo a um corpo que se vai impregnando de vivências e emoções, resultando numa metáfora da vida.

“É importante que estes jovens percebam que nós somos seres em transformação, e esta é uma experiência de arte e vida”, vincou o coordenador educativo.

O programa educativo da bienal Anozero’26 – centrado no tema Ancestralidades, Migrações e Deslocamentos – inclui ainda, para além de outras iniciativas, um ciclo de workshops e outro de documentários (promovido em colaboração com o Doc.Coimbra) com filmes de sete países.

Fonte: Campeão das Províncias

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