A Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Macau (UPM) anunciaram esta semana a criação de um programa conjunto de investigação em Humanidades Digitais, centrado na promoção dos estudos sino-portugueses e na digitalização de arquivos históricos, numa iniciativa que pretende aprofundar a cooperação científica interdisciplinar entre a China e os países de língua portuguesa.
A UPM sublinha que o projecto visa “desenvolver ainda mais o papel de Macau como ponte de intercâmbio académico” e consolidar a colaboração internacional em áreas emergentes da investigação. O programa reúne as competências das duas instituições para impulsionar “inovações de investigação multidimensionais”, abrangendo a digitalização de fundos documentais históricos, o desenvolvimento de modelos de linguagem portuguesa de grande escala com recurso à inteligência artificial, a revitalização digital do património cultural e novas formas de comunicação digital contemporânea.
Na cerimónia de lançamento, o vice-Reitor da UC, Nuno Mendonça, destacou o impacto transformador da inteligência artificial no ensino e na investigação, sublinhando que o crescimento das humanidades digitais representa “não apenas um desafio técnico, mas também um diálogo profundo que envolve ética e cultura”.
Com uma longa tradição nos estudos da cultura chinesa, a Universidade de Coimbra assume, segundo Mendonça, o papel de ponte académica entre Oriente e Ocidente, procurando integrar tecnologias linguísticas, indústrias criativas e investigação em património cultural no âmbito deste novo programa.
As duas universidades prevêem ainda a criação de laboratórios académicos conjuntos no futuro campus de Hengqin, descrito como um espaço simbólico da convergência entre tradição e inovação tecnológica.
No mesmo contexto, foi assinado um acordo para estabelecer uma base de cooperação no ensino superior na chamada Cidade de Educação Internacional de Macau e Hengqin, com o objectivo de construir um “campus internacional” orientado para a comunidade global, recordou o reitor da UPM, Marcus Im.
Para o responsável, o novo programa assume uma missão estratégica ao apostar nas tecnologias da linguagem e dos textos, nomeadamente através da criação de uma base de dados interlinguística que promoverá a inovação de dados nas ciências humanas e sociais. Paralelamente, exposições digitais e experiências interactivas deverão incentivar a divulgação e partilha de recursos multiculturais.
O novo campus da Universidade Politécnica de Macau integrará uma futura cidade universitária que acolherá também o novo campus da Universidade de Macau, cujas obras tiveram início em Dezembro do ano passado. De acordo com as Linhas de Acção Governativa para 2026, numa primeira fase instalar-se-ão no local a Universidade de Macau, a UPM e a Universidade de Turismo de Macau, prevendo-se o arranque das actividades lectivas em Setembro de 2026, com cerca de 1.200 estudantes no primeiro ano, maioritariamente ao nível de pós-graduação.
Fonte: Campeão das Províncias
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