Os campos do Mondego, na margem direita do concelho de Coimbra, vão ser alvo de um investimento de dois milhões de euros ao longo de 21,5 quilómetros de caminhos agrícolas, incluindo sete pontes, promovendo a resiliência hidráulica e um novo modelo de agroturismo.
A apresentação pública do projecto “Restabelecimento funcional de percursos delimitados pelo rio Mondego, rio Velho e Vala Real” decorreu esta segunda-feira, nas instalações da Cooperativa Agrícola de Coimbra, na estrada do Choupal.
A iniciativa insere-se no programa nacional “Territórios Resilientes” e resulta de um contrato-programa assinado entre o Fundo Ambiental, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Município de Coimbra
O evento contou com intervenções da presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, do presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra, Pedro Pimenta, do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça, e de Nuno Bravo, da Agência Portuguesa de Ambiente (APA).
Ana Abrunhosa explicou que o investimento melhorar pavimentos, drenagem e segurança, bem como reforçar a resiliência do território perante futuros fenómenos meteorológicos extremos. A autarca garantiu categoricamente que a função principal e prioritária de toda a rede é – e continuará a ser – a actividade agrícola, com a valorização complementar ligada à mobilidade suave, ao agroturismo e à economia local.
Com vigência contratual até 31 de Dezembro de 2027, o financiamento é assegurado integralmente pelo Fundo Ambiental, cabendo à APA a emissão dos pareceres técnicos e licenças de intervenção no domínio hídrico, enquanto a autarquia de Coimbra assume a execução material e a gestão das obras.
Protecção contra cheias e apoio aos agricultores
A intervenção, explicada por Santos Costa, director do Departamento de Espaço Público da Câmara de Coimbra, surge em resposta às vulnerabilidades demonstradas pelo território perante fenómenos meteorológicos extremos e cheias recorrentes, que ao longo dos anos têm fragilizado os acessos às explorações agrícolas e a infraestrutura hidráulica da região.
Os trabalhos vão incidir no reforço dos pisos, consolidação de margens e restauro de pontes, visando reduzir a vulnerabilidade do vale e restabelecer condições de circulação fiáveis. O projeto pretende assegurar que as infraestruturas resistam melhor a galgamentos de água, garantindo em simultâneo a segurança das populações e a operacionalidade dos produtores locais durante todo o ano.
Além da vertente de protecção civil e infra-estrutural, o projecto introduz o conceito dos “Caminhos do Baixo Mondego”, uma rede de vias partilhadas que cruza agricultura, protecção da natureza, mobilidade suave e economia local.
Contudo, os promotores sublinham que a prioridade de circulação nestas vias permanecerá de forma inequívoca com a actividade agrícola. A utilização pedonal e ciclável terá um carácter estritamente complementar, articulando a rotina dos tractores e máquinas agrícolas com o usufruto de quem deseja explorar a paisagem rural.
A visão subjacente não passa por converter os campos férteis numa área turística convencional, mas sim por usar a mobilidade suave – através da caminhada e do uso da bicicleta – para promover e rentabilizar o património produtivo existente. Culturas históricas e identitárias da região, como o arroz, o milho e a batata, assim como a rede de regadio e as zonas de vegetação ripícola, constituem a base da experiência de visitação proposta.
O plano, que envolve a Associação de Agricultores do Baixo Mondego, a Associação de Beneficiários da Obra Hidroagrícola, prevê ainda o desenvolvimento de parcerias com os produtores do vale para a criação de rotas agroturísticas, visitas a explorações, venda directa de produtos locais e dinamização do alojamento e restauração rural nas freguesias abrangidas.
Fonte: Campeão das Províncias
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