COIMBRA,21 de Junho de 2026

Agrária de Coimbra regista variedades de sementes próprias

22 de Janeiro 2026 Rádio Regional do Centro: Agrária de Coimbra regista variedades de sementes próprias

A Escola Superior Agrária do Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC) procedeu recentemente ao registo de duas variedades de sementes próprias: Feijão ‘Agrária de Coimbra 201’ e Pimento ‘Agrária de Coimbra 301’.

O Feijão ‘Agrária de Coimbra 201’ é uma variedade de crescimento indeterminado, desenvolvida por esta instituição de ensino superior em modo de produção biológica. Teve origem num cruzamento realizado em 2021 entre duas variedades tradicionais (‘Patalar’ e ‘Manteiga’) recolhidas na zona de Condeixa-a-Nova. A população foi submetida ao Catálogo Nacional de Variedades: Espécies agrícolas e hortícolas em 2024, tendo sido aprovada em 2025.

Esta variedade apresenta porte trepador e as sementes – 5 a 6 por vagem – são de forma oval-cuboide, cor creme-claro a acastanhado-claro. Trata-se de um recurso genético adaptado à agricultura biológica e à produção local, sendo especialmente indicado para sistemas diversificados, como policulturas, consociações e rotações de culturas. É adequado tanto para a produção de vagens como de sementes, podendo ser amplamente utilizado na gastronomia regional e integrando-se de forma natural na dieta mediterrânica.

Já o Pimento ‘Agrária de Coimbra 301’ é uma população tradicional de pimento doce originária da região do Sabugal (Nordeste de Portugal). Mantida por agricultores locais, está adaptada a condições de baixo consumo de factores de produção e a agricultura biológica. A população tem sido seleccionada e multiplicada na ESAC em modo biológico e foi avaliada, quer neste contexto, quer em Sistema Agroflorestal de Sucessão. Em 2025, obteve o registo oficial em Portugal como variedade de conservação.

Os frutos, de tamanho médio, têm 3 a 4 lóculos, superfície lisa e cor vermelha na maturação, distinguindo-se pelo seu sabor doce e pela sua polpa espessa (0,7–0,9 cm). O ‘Agrária de Coimbra 301’ pode ser consumido em fresco, assado, grelhado ou recheado. A sua aptidão para a produção em modo biológico torna-o adequado a sistemas agrícolas de baixo uso de factores de produção e com maior resiliência ambiental. Além disso, o seu cultivo contribui para a preservação do património agrícola local e para a manutenção da diversidade genética.

Segundo Pedro Mendes-Moreira, professor e investigador principal (CERNAS) do programa de melhoramento de plantas na ESAC-IPC, que integra o projecto europeu LiveSeeding, as sementes de ambas as variedades encontram-se em multiplicação para poderem ser disponibilizadas aos agricultores o mais breve possível.

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