COIMBRA,4 de Maio de 2026

Sport Club Conimbricense quer mais clubes a formar equipas de futebol para cegos

22 de Dezembro 2021 Rádio Regional do Centro: Sport Club Conimbricense quer mais clubes a formar equipas de futebol para cegos

O Sport Club Conimbricense abriu, no início do ano de 2020, as portas a uma modalidade até então ‘esquecida’ em Portugal. Falamos do futebol de cinco para cegos.

Embora a modalidade não seja desconhecida, visto que em vários países pelo mundo existe a prática desta actividade, em território nacional não havia ainda registo de nenhum clube que tivesse aderido, sendo por isso o Sport Club Conimbricense o pioneiro da modalidade de futebol cinco para cegos em Portugal.

O projecto é ainda recente. Em 2019, a equipa conimbricense começou a agarrar e a delinear o plano, tendo em Janeiro do ano seguinte realizado o primeiro treino. Contudo, os treinos presenciais tiveram de ser interrompidos devido à pandemia da Covid-19 que acabou por exigir novas mudanças e adaptações. Apesar disso, o Conimbricense reuniu todas as condições e esforços para levar avante a modalidade e adaptaram os treinos de forma online.

“Queríamos ter modalidades que apoiassem e ajudassem a vida dos deficientes visuais”, começou por dizer o presidente do Sport Club Conimbricense, Carlos Ferreira, adiantando tratar-se de uma actividade já há muito desejada no emblema da zona Centro.

Apesar do entusiasmo pelo projecto, há algumas dificuldades com que o Club se depara, nomeadamente a falta de outras equipas para competir. Segundo o presidente essa tem sido a maior luta do Sport. “Precisamos de arranjar clubes em vários sítios que estejam disponíveis a perder tempo e gastar dinheiro para criar uma equipa de futebol de cegos” afirmou.

Actualmente o Sport é o único clube, do país, que possui uma equipa de futebol cinco para invisuais, dessa forma torna-se impossível realizar campeonatos ou competições entre outros clubes. Um desejo que o dirigente espera alcançar muito em breve. “O objectivo é ter já no próximo ano novas equipas para competir”, adiantou.

 

Primeiro torneio internacional

Já este ano o Sport Club Conimbricense proporcionou o primeiro torneio internacional de futebol cinco para cegos. No evento, que se realizou nos campos da Casa do Pessoal dos Hospitais do Centro Hospitalar de Coimbra, no Hospital dos Covões, esteve presente uma equipa da República Checa e a selecção da Andaluzia. “Foi muito bom, acima das expectativas”, disse Carlos Ferreira, mostrando satisfação pelos resultados obtidos nesta iniciativa. “Fizemos este torneio também para motivar os nossos atletas”, um efeito, que segundo o presidente, foi bem conseguido.

O responsável afirmou que o objectivo é voltar a repetir o evento, no entanto, o pretendido é arranjar outras equipas que formem uma selecção, à qual, este ano, foi representado apenas pelos jogadores do Sport, por não haver outras equipas nacionais. “Estamos a impulsionar, e de facto somos o único clube que em Portugal que está a agarrar nessa modalidade. A ideia é arranjar mais para depois partir para outras coisas, como uma selecção ou para participar nos paraolímpicos”, declarou Carlos Ferreira.

 

Jogadores de Norte a Sul

A equipa de futebol para cegos do Sport Club Conimbricense reúne 25 atletas que vêm de Norte a Sul de Portugal até Coimbra para treinar e passar momentos de alegria e companheirismo. Entre homens, mulheres e até mesmo crianças, todos têm um objectivo e um sentimento em comum: representar a comunidade invisual da melhor forma e o gosto pela modalidade.

O elemento mais novo da equipa tem apenas oito anos, sendo que o mais velho tem 50, mas isso não é factor que intimide os atletas pois todos se mostram bastante unidos. Sendo os treinos realizados no Pavilhão da Palmeira, em Coimbra, e tendo em conta que os jogadores vêm de todas as partes do país, não é possível realizar treinos com regularidade. Desta forma, são feitos encontros pelo menos uma vez por mês, onde o Sport assegura as deslocações dos atletas que vêm de mais longe, bem como o seu alojamento, caso seja necessário. “Não é fácil deslocar uma pessoa de longe para Coimbra, mas a força de vontade deles conta muito”, afirma o presidente.

Sendo a única equipa nacional, o Sport Club Conimbricense foi convidado, pela Selecção da Andaluzia, para competir no torneio espanhol que irá realizar-se em Maio do próximo ano. Apesar dos apoios serem poucos, Carlos Ferreira acredita que irão conseguir encontrar a ajuda necessária para se deslocarem até Espanha.

Actualmente o Sport tem contado com o apoio por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), sobretudo de Humberto Coelho, vice-presidente da FPF, que é considerado o ‘padrinho’ da modalidade. O próprio cedeu uma camisola da Selecção Nacional à equipa de futebol para cegos e ainda conseguiu uma outra autografada por Cristiano Ronaldo e restante plantel, como forma de ajudar na angariação de fundos.

Todavia, o Club apela ao apoio das mais diversas entidades para ajudar os deficientes visuais e sobretudo a criar meios que elevem a modalidade do futebol cinco para cegos ao mais alto nível.

“As pessoas com algum grau de deficiência precisam de ser ajudadas. Temos de proporcionar alguns momentos de convívio e de lazer e até de competição a essas pessoas”, declarou o presidente do clube.

 

Aposta em outras modalidades para cegos

O futebol para cego é o grande propósito do Sport, no entanto, não descura de outras modalidades para a inclusão dos visuais. O emblema representado pelo milhafre tem estado a reunir condições para avançar com a modalidade de Showdown e do Goalball. Estes são já desportos adaptados que têm várias equipas nacionais representadas por grandes clubes, e ao qual o Sport pretende se juntar para integrar nas competições nacionais.

Até agora o clube tem uma mesa cedida pela ANDDVIS (Associação Nacional de Desporto para Pessoas com Deficiência Visual) para a prática da modalidade de Showdown, contudo os apoios ainda são poucos o que torna difícil o avanço destas modalidades.

Segundo Carlos Ferreira estão “a tentar consolidar e a fazer o melhor com o futebol para cegos, mas fazer tudo de uma vez não é fácil. Primeiro queremos solidificar o futebol para depois partir para outras modalidades”.

Cristiana Dias

[Reportagem da edição impressa do “Campeão” de 16/12/2021]

Fonte: Campeão das Províncias

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