Os comerciantes de Coimbra têm expectativas muito baixas para o Natal, devido à incerteza provocada pela covid-19, e estão a optar por comprar “a medo” artigos que vendem nesta época, afirmaram duas associações da cidade representativas do sector.
“As expectativas são muito negras, tendo em conta a situação em que se está e às incertezas e impasse de o concelho poder passar a um risco mais elevado ou não”, disse à agência Lusa a presidente da Associação de Comerciantes e Empresários de Coimbra (AICEC), Zita Alexandre.
A Câmara de Coimbra vai apoiar as famílias do concelho que perderam rendimentos durante a pandemia, com vales para compras no comércio local, no valor global de 500 000 euros, como anunciou a autarquia na semana passada e “esta medida tem uma dupla motivação: apoiar pessoas e famílias residentes no concelho com problemas” resultantes da pandemia, e, “ao mesmo tempo, estimular o comércio local”, referiu o presidente do Município, Manuel Machado.
De acordo com Zita Alexandre, os comerciantes estão “a comprar a medo” artigos específicos para esta época do ano, face ao receio de depois não os venderem.
“São tudo investimentos e as peças se não são vendidas ficam paradas e para o ano virá outra colecção e aquela fica parada a um canto”, notou.
De acordo com esta responsável, já há situações de “algum desespero” de comerciantes que não sabem se conseguem manter-se abertos até ao final do ano, presumindo-se que alguns “irão mesmo fechar”.
A presidente da AICEC frisou que todas as épocas festivas são importantes para o comércio local, sendo que, num ano atípico como este, muitos estavam a contar que o Natal fosse “dar uma lufada de ar fresco, mas já começam a acreditar que isso não é possível”.
Também a presidente da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), Assunção Ataíde, traça um cenário negro, constatando que há muitos comerciantes “deprimidos” face à situação, tendo também retraído nos investimentos que seriam feitos para esta altura do ano.
Para além disso, “as pessoas também andam muito baralhadas com esta situação, em que há umas orientações e depois surgem outras e é extremamente difícil gerir a época”, observou.
“A expectativa é de um Natal fraco, mas vamos tentar potenciá-lo o mais possível”, salientou.
Assunção Ataíde referiu que a APBC está a procurar promover o comércio local, através de vídeos a serem divulgados nas redes sociais, e pretende avançar com uma ferramenta para criar uma presença digital dos comerciantes.
“A Câmara de Coimbra também lançou um programa de ‘vouchers’ e esperamos que o maior número possível de pessoas deles possa usufruir”, vincou. No entanto, apesar dos esforços, a responsável da APBC contou que já há comerciantes “a pensar em fechar”.
“Há comerciantes que não têm tesouraria suficiente para sobreviver. Essa é a angústia de muitos e, se deixarmos fechar algumas estruturas, especialmente na área da restauração, não terão capacidade para depois reabrir”, realçou.
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