A Visões Úteis estreia em Coimbra, na quarta-feira (27), “Versão Beta”, primeira peça “quase” carbono zero da companhia do Porto, onde são abordadas as tensões entre passado, presente e futuro.
O espectáculo vai ser apresentado no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e está agendado para as 21h30. Os bilhetes podem ser adquiridos em https://www.bol.pt/Comprar/Bilhetes/101220-versao_beta-tagv/?fbclid=IwAR1ieAkHONnPN6wJP9wuWejxc4jw_nSy0lphZfj0O1qwtMC0EExKSzri-Bs.
Com texto e interpretação de Carlos Costa, um dos elementos da direcção artística da companhia, a peça é uma “exploração a solo”, num registo íntimo, em que o actor e encenador constrói relações entre três linhas de tempo da sua vida.
O espectáculo explora o encontro de linhas de tempo, tema desenvolvido pela Visões Úteis em trabalhados passados, resultando nesta peça na “coincidência de uma vida e no encontro de um indivíduo [Carlos Costa] consigo e com o espectador” e com a consciência do passar do tempo, explica o actor.
“Apesar de haver um indivíduo a falar de si, fala de coisas muito reconhecíveis. As coisas nem sempre acontecem como nós imaginávamos”, disse Carlos Costa.
Em cena, são exploradas três linhas de tempo: a primeira cassete Betamax de Carlos Costa e os 30 minutos que gravou em 1984; o início da leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, em 1995; e em 2008, quando se gravou a ler os textos de “Krapp’s Last Tap”, que Samuel Beckett indica terem sido registados 30 anos antes, para um projeto do actor a estrear em 2038.
Para Carlos Costa, o espectáculo “não é apenas um exercício diletante, porque na realidade este olhar para trás de perceber como as coisas se processaram até agora também permite que, ao olhar para a frente, se possa ter uma perspectiva mais lúcida sobre o que tem sentido imaginar e que sentido se pode encontrar nesta negociação entre o passado que aconteceu e que não aconteceu”.
Esta peça também será a primeira produção da Visões Úteis que será quase “carbono zero”, numa companhia que já tinha a preocupação de no passado plantar árvores para compensar o carbono emitido nas produções de cada ano.
Nas instalações onde são feitos os ensaios, só são utilizadas energias renováveis, as deslocações para os ensaios são feitas a pé, de bicicleta ou de metro, e a cenografia reutiliza materiais que a companhia já tinha, tendo tido a necessidade de comprar ou produzir “muito, muito pouco”, afirmou Carlos Costa.
A produção tinha também pensado em alugar um veículo eléctrico para a itinerância do espectáculo, mas não encontraram qualquer opção para veículos de cargo eléctricos, refere.
“Ainda assim, de um ponto de vista estrutural, conseguimos esticar a vida da nossa carinha a diesel, que teria menos impacto do que comprar um veículo e provocar a produção de mais um veículo elétrico para o utilizarmos”, sublinha.
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