COIMBRA,13 de Setembro de 2026

Universidade Politécnica de Coimbra lidera projecto europeu para cidades mais resilientes

13 de Setembro 2026 Rádio Regional do Centro: Universidade Politécnica de Coimbra lidera projecto europeu para cidades mais resilientes

A Universidade Politécnica de Coimbra (UPCoimbra) vai coordenar um projecto europeu destinado a desenvolver soluções de drenagem urbana que aumentem a capacidade das cidades para responder às alterações climáticas e a fenómenos meteorológicos extremos.  

O projecto ResSuDSCita – Resilient and Sustainable Drainage Systems for Cities terá uma duração de 36 meses e reúne parceiros de Portugal, Grécia, Polónia, Hungria e Suécia. O investimento global ultrapassa um milhão de euros, com um financiamento solicitado de cerca de 968 mil euros. 

A empresa municipal Águas de Coimbra participa igualmente na iniciativa, ficando associada à implementação e monitorização das soluções-piloto. 

Coordenada pelo docente Joaquim Sousa, a equipa da UP Coimbra reúne especialistas em áreas como hidráulica urbana, inteligência artificial, geotecnia, ambiente, economia, sensorização e sistemas de informação geográfica.  

O projecto pretende avaliar e optimizar Sistemas Urbanos de Drenagem Sustentável, infra-estruturas verdes concebidas para reproduzir o funcionamento natural do ciclo da água e contribuir para reduzir o risco de cheias urbanas, melhorar a qualidade da água, aumentar a infiltração no solo e a biodiversidade e diminuir o efeito de ilha de calor. 

Para Joaquim Sousa, o projecto surge num contexto marcado por vários desafios relacionados com as alterações climáticas, a gestão da água e a transformação dos espaços urbanos. 

“As cidades enfrentam hoje desafios cada vez mais complexos que colocam em causa não só a sua sustentabilidade, mas também a qualidade de vida e o bem-estar das populações. As alterações climáticas estão a aumentar a frequência e a intensidade de fenómenos extremos, colocando novas pressões sobre a gestão da água em meio urbano. Ao mesmo tempo, a crescente artificialização dos espaços urbanos contribui para o agravamento do efeito de ilha de calor, enquanto a necessidade de encontrar soluções para a valorização de resíduos industriais constitui um desafio ambiental e económico cada vez mais relevante”, disse. 

Uma das vertentes do ResSuDSCita passa pela incorporação de sub-produtos industriais na construção das infra-estruturas de drenagem, aplicando princípios de economia circular e procurando reduzir o consumo de matérias-primas. 

“Pretende-se contribuir para a mitigação dos efeitos das inundações urbanas, melhorar a qualidade da água, promover a biodiversidade e reduzir o efeito de ilha de calor. Um dos aspectos mais inovadores do projeto é a integração destes objectivos com os princípios da economia circular, através da incorporação de resíduos industriais na construção de soluções de drenagem sustentável. Desta forma, procuramos transformar aquilo que tradicionalmente é encarado como um resíduo num recurso, reduzindo o consumo de matérias-primas e contribuindo para soluções urbanas mais sustentáveis”, explicou Joaquim Sousa. 

O coordenador salientou ainda que o projecto não se limita ao desenvolvimento de soluções tecnológicas. 

“O ResSuDSCita pretende demonstrar que é possível repensar a forma como planeamos e construímos as nossas cidades, aproximando a gestão da água, a adaptação às alterações climáticas, a valorização de resíduos e a criação de espaços urbanos mais resilientes. É esta abordagem integrada que consideramos essencial para construir cidades mais sustentáveis, resilientes e preparadas para os desafios do futuro”, acrescentou. 

Serão também desenvolvidos modelos digitais baseados em sensores, monitorização remota, inteligência artificial e aprendizagem automática, para acompanhar o desempenho das soluções implementadas e apoiar o planeamento urbano sustentável. 

Ao longo dos três anos, os parceiros vão caracterizar soluções existentes, instalar sistemas de monitorização em diferentes cidades, recolher e analisar dados ambientais, validar novos materiais e desenvolver ferramentas de apoio à decisão. 

O objectivo final passa por produzir recomendações técnicas e políticas que facilitem a adopção destas soluções por cidades de toda a Europa. 

Este projecto foi recentemente aprovado e encontra-se agora na fase de preparação do plano de trabalhos, organização das equipas e realização das primeiras reuniões de coordenação. 

Fonte: Campeão das Províncias

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