COIMBRA,1 de Setembro de 2026

UC analisa influência de factores psicológicos nas decisões financeiras das PME

1 de Setembro 2026 Rádio Regional do Centro: UC analisa influência de factores psicológicos nas decisões financeiras das PME

Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) está a estudar de que forma características psicológicas dos responsáveis financeiros das pequenas e médias empresas (PME) influenciam decisões relacionadas com liquidez e endividamento. 

Esta investigação é coordenada por Filipe Coelho, docente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e investigador do Centro de Investigação em Economia e Gestão (CeBER). 

“A tomada de decisões financeiras nas organizações é muitas vezes analisada a partir de perspetivas estritamente racionais e baseadas em variáveis económicas e financeiras. Contudo, a investigação tem vindo a reconhecer que as características psicológicas dos decisores desempenham um papel crucial na forma como as decisões são tomadas”, contextualizou o responsável. 

O projecto PSYFIN – Decisões financeiras empresariais: uma abordagem psicológica, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, analisa factores como o mindfulness, associado à atenção deliberada no momento presente, e o foco regulatório, ligado à forma como os indivíduos orientam o comportamento para atingir objectivos. 

Os primeiros resultados, obtidos a partir de 449 questionários preenchidos por responsáveis financeiros de PME em Portugal, indicam que níveis elevados de mindfulness estão associados a uma maior retenção de liquidez. 

“Os decisores financeiros com níveis mais elevados de mindfulness apresentam, tipicamente, maior regulação emocional, menor impulsividade e níveis mais baixos de excesso de confiança. Estas características favorecem decisões mais ponderadas e cautelosas”, revelou Filipe Coelho, acrescentando que “o mindfulness tem sido associado a uma maior consciência ética, o que pode reforçar a preocupação com a protecção dos recursos organizacionais, incentivando uma gestão financeira mais conservadora (maiores níveis de disponibilidades)”. 

Este estudo aponta ainda para uma redução de apetência pelo risco entre decisores com níveis mais elevados de mindfulness, traduzindo-se numa preferência por maior liquidez e por políticas financeiras mais conservadoras. 

O efeito é mais acentuado em empresas com maior antiguidade, onde a orientação para a estabilidade poderá favorecer decisões de maior prudência. 

“Este projecto contribui para uma compreensão mais aprofundada da forma como características psicológicas individuais influenciam decisões financeiras empresariais. E, em concreto, ao evidenciar o papel do mindfulness, o estudo contribui para uma melhor compreensão dos factores que influenciam as políticas de liquidez”, rematou Filipe Coelho. 

Fonte: Campeão das Províncias

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