COIMBRA,19 de Abril de 2026

Ordem dos Médicos acolhe tertúlia sobre a vida e obra de Fernando Namora

8 de Abril 2026 Rádio Regional do Centro: Ordem dos Médicos acolhe tertúlia sobre a vida e obra de Fernando Namora

A vida e a obra de Fernando Namora cruzam-se de forma profunda e indissociável, revelando uma relação íntima entre a experiência vivida e a criação literária. É a partir desta ligação que surge a tertúlia “Fernando Namora: Roteiros de uma vida, meandros de uma obra”, que decorrerá dia 15 de Abril, às 18h00 na Sala Miguel Torga da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, em Coimbra.

A iniciativa inserida nas celebrações dos 52 anos do 25 de Abril, organizada pelo Ateneu de Coimbra / Universidade Popular em parceria com a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, visa dar corpo a uma reflexão sobre o percurso humano e artístico de um dos mais marcantes escritores portugueses do século XX.

Rui Jacinto, geógrafo, conduz-nos a todos os territórios do médico que foi escritor e do escritor que nunca quis deixar de ser médico.

Ao longo da vida (Condeixa-a-Nova, 15 de Abril de 1919 – Lisboa, 31 de Janeiro de 1989), Fernando Namora construiu um itinerário criativo que ele próprio identificou em diferentes fases: “a fase de uma juventude em ambiente universitário provinciano, a fase rural, depois a fase citadina, finalmente a confrontação do homem português com o homem de outros horizontes geográficos e culturais”. (Encontros:210), lê-se na sinopse do conferencista.

O Professor Rui Jacinto irá, nesta tertúlia, mostrar-nos o percurso multiterritorial de Fernando Namora que deu origem a uma obra vasta e multifacetada, onde se inscrevem “verdadeiros mapas de um atlas literário”, retratando com sensibilidade a alma das pessoas e o espírito dos lugares que conheceu.

A tertúlia, que decorre no 88º ano da vida literária de Fernando Namora, propõe “situar o homem no espaço e no tempo seu tempo”, acrescenta ainda o conferencista na mesma sinopse, analisando uma produção literária desenvolvida ao longo de décadas coincidentes com “uma fase negra da história de Portugal”.

A escrita de Fernando Namora reflete, de forma crítica e humanista, os desafios sociais e políticos do seu tempo, mantendo, ainda hoje, uma surpreendente atualidade. Num contexto contemporâneo em que a memória histórica é frequentemente desvalorizada e o olhar se concentra predominantemente no espaço urbano, a obra de Namora destaca-se pela capacidade de articular diferentes dimensões da experiência humana.

E voltamos a citar o conferencista Rui Jacinto: “Os laivos de actualidade que persistem na obra de Fernando Namora conferem ao seu legado uma dimensão intemporal cuja leitura é recomendada aos que pretendam compreender melhor o contexto sociopolítico em que foi construída. Num tempo em que se tenta apagar a História e em que o pensamento dominante se foca obsessivamente no urbano, a obra de Namora é uma feliz conjugação de opostos, uma salutar tensão entre contrários, seja entre nós e o outro, a noite e a madrugada, o rural e o urbano”.

Esta iniciativa visa (re)descobrir a escrita do médico Fernando Namora, sublinhando a relevância e intemporalidade do seu legado literário (poesia, romances, contos, memórias e impressões de viagem), essencial para uma compreensão mais profunda da sociedade portuguesa e das suas transformações.

 

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