COIMBRA,17 de Janeiro de 2026

Incêndios no Centro e Norte do país afectam 60% dos apicultores da cooperativa Lousãmel

21 de Agosto 2025 Rádio Regional do Centro: Incêndios no Centro e Norte do país afectam 60% dos apicultores da cooperativa Lousãmel

Cerca de 60% dos associados da cooperativa Lousãmel, incluindo vários produtores do mel da Serra da Lousã, foram afectados pelos incêndios que continuam a devastar o Centro e Norte de Portugal, sobretudo devido à falta de alimento para as abelhas.

Segundo um levantamento preliminar na área de intervenção da Lousãmel, perto de mil colmeias já terão sido destruídas pelos fogos. Contudo, a directora executiva da cooperativa, Ana Paula Sançana, alerta que o impacto mais grave será a longo prazo: a escassez de flores e plantas afecta directamente a alimentação das abelhas, comprometendo os próximos anos de produção.

“O problema alimentar é muito substancial, porque as abelhas ficaram sem nada para comer. Em termos de impacto da produção deste ano, acabou por não ser tão negativo, porque a maior parte dos apicultores já tinha feito a extracção do mel. Mas, infelizmente, os próximos anos serão uma repetição de entrada em novo ciclo negativo”, afirmou Ana Paula Sançana.

O mel da Serra da Lousã, de origem protegida, corre risco de perder as suas características devido à destruição da flora local. A directora executiva sublinha ainda que as abelhas enfrentam outras ameaças, como a vespa asiática e a varroose — doença provocada por um ácaro — e que, após a extracção do mel, os insectos estão em “profundo stress”.

Ana Paula Sançana apelou a uma intervenção “musculada” do Governo em apoio aos apicultores, lembrando que esta actividade presta um serviço ecossistémico crucial e tem sido repetidamente afectada por incêndios em ciclos cada vez mais curtos. “Se não houver apoio e um sinal muito claro do Governo, tenho a certeza de que vai haver pessoas que vão desistir”, alertou.

A cooperativa registou associados afectados não apenas na Lousã, mas também na Pampilhosa da Serra, Arganil, Oliveira do Hospital, Mêda e Trancoso. A responsável prevê ainda que, com a destruição de áreas florestais, possa surgir uma pressão sobre zonas intactas, provocando sobrepopulação de abelhas.

Apesar da dimensão da catástrofe, Ana Paula Sançana considera que o número de colmeias ardidas é inferior ao registado em 2017, fruto da experiência adquirida pelos apicultores, muitos dos quais passaram a instalar as colmeias mais longe do chão.

Portugal continental tem sido fustigado por incêndios rurais de grande dimensão desde Julho, com maior incidência nas regiões Norte e Centro. Até 20 de Agosto, arderam mais de 222 mil hectares, ultrapassando a área ardida em todo o ano de 2024. Os fogos provocaram três mortos, incluindo um bombeiro, vários feridos, e destruíram casas, explorações agrícolas e florestas.

Fonte: Campeão das Províncias

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