As associações empresariais da região de Coimbra (ACIFF – Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz, Associação Empresarial Regional, AESL (Associação Empresarial da Serra da Lousã, ACIBA (Associação Comercial e Industrial da Bairrada e Aguieira), AEDP (Associação Empresarial de Poiares), CEMC ( Clube de Empresários de Miranda do Corvo), APBC – Agência para a
Promoção da Baixa de Coimbra, NEP – Núcleo Empresarial de Penela, AEMIRA – Associação Empresarial de Mira, AEPS – Associação Empresarial de Pampilhosa da Serra) partilham da tomada de posição de outras associações do país no que diz respeito à falta de apoios efectivos do comércio de proximidade.
O comércio e os serviços de proximidade são indubitavelmente o sector que mais contribui para o emprego e criação de riqueza no país. Marcado por negócios ágeis, mas de pequena dimensão, não têm o devido reconhecimento pela classe política, seja pela ausência de grandes players, seja pela falta de espírito associativo.
Porém, a sua importância para a economia, para as comunidades locais, para a regeneração e dinamização da vida urbana e/ou rural, é absolutamente crucial em Portugal, como em qualquer parte do mundo. Este sector tem vindo a atravessar revoluções sucessivas que o obriga a adaptar-se e reinventar-se constantemente. A mais recente e provavelmente a mais complexa de todas é a da transformação digital.
A pequena dimensão dos operadores, leia-se fraca capacidade de investimento em processos de evolução tecnológica, associada à insuficiente capacitação digital dos empresários e dos seus quadros, torna este processo de transição verdadeiramente difícil. Mas não impossível, claro.
Em Portugal, à boleia do PRR – desenhado e pensado num contexto de pandemia para assegurar a resiliência e recuperação da economia durante e após aquele excepcional período – o Governo promete promover a transição digital das empresas do setor com duas medidas que beneficiam de um envelope financeiro relativamente generoso: os “Bairros Comerciais Digitais”, com 52,5 milhões de euros, mais um previsível reforço de 25 milhões; e as “Aceleradoras de Comércio Digital”, com 55 milhões de euros.
Sem querer beliscar o mérito dos programas, imagine-se que se quer melhorar a eficiência energética de um estabelecimento e que os incentivos desenhados pelo Governo apenas apoiam os investimentos realizados na rua e que estes, no máximo, só podem ir até a porta do prédio. Ora, salvaguardando as devidas diferenças é disto que se trata.
Os apoios à Transformação Digital lançados pelo governo não terão o efeito desejado se não forem complementados por um programa de apoio ao investimento das empresas. Um programa de apoio ao investimento na modernização dos estabelecimentos comerciais e de serviços de proximidade, com ênfase nos investimentos em transformação digital, mas que também preveja investimentos na modernização física dos estabelecimentos.
Lembramos que o último programa de apoio à modernização do comércio teve lugar há mais de uma década e que no âmbito do PT2020 (e, infelizmente, espera-se igual dificuldade de enquadramento no PT 2030) estes projectos não tinham enquadramento previsto, ou seja, não tinham possibilidade de se candidatar.
Todavia, o Fundo de Modernização do Comércio continua a ser alimentado, ano após ano, com as receitas decorrentes dos licenciamentos de Centros Comerciais e Grandes Superfícies Especializadas e o Governo teima em não cumprir com a ideia base deste Fundo, que consiste em reverter as taxas arrecadadas com o licenciamento das grandes superfícies para a modernização do pequeno comércio.
Assim sendo, as associações subscritoras reivindicam junto do Governo a criação de um programa de apoio à modernização do Comércio, com a maior brevidade possível, assim como, a criação de avisos de candidatura no âmbito do PT2030 desenhados especificamente para os desafios do comércio e serviços de proximidade.
O futuro não espera pelo comércio de proximidade. É tempo de agir com coragem e determinação.
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