COIMBRA,17 de Maio de 2022

Coimbra vai receber protesto de agricultores com tractores em marcha lenta

26 de Abril 2022 Rádio Regional do Centro: Coimbra vai receber protesto de agricultores com tractores em marcha lenta

Um protesto promovido por agricultores do Baixo Mondego, contra a falta de apoios do Governo, irá levar, na sexta-feira, várias dezenas de tractores agrícolas, em marcha lenta, de Montemor-o-Velho até à Baixa de Coimbra.

Na base da contestação está a falta de respostas do Governo às reivindicações dos agricultores, que reclamam apoios aos factores de produção e isenção de impostos no gasóleo agrícola, entre outros.

“Fomos recebidos em 29 de Março na delegação da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), entregámos uma exposição, dando até um prazo razoável [15 dias] de resposta à senhora ministra da Agricultura e não houve qualquer tipo de resposta. Para nós, isso é uma grande falta de respeito e de consideração para com a agricultura do Baixo Mondego”, refere Isménio Oliveira, coordenador da Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (Adaco).

Face à insatisfação dos agricultores, a Adaco e a Comissão de Agricultores do Baixo Mondego irão promover uma deslocação de tractores, em marcha lenta, entre Montemor-o-Velho e Coimbra, na sexta-feira, a partir das 9h00.

O percurso, com cerca de 30 quilómetros (km) irá ligar, pela Estrada Nacional (EN) 111, o Largo da Feira daquela vila do Baixo Mondego à povoação da Adémia, a norte de Coimbra e, daí, pela antiga Nacional 1, até à avenida Fernão de Magalhães, junto às instalações da DRAPC.

Naquela delegação regional, os contestatários irão entregar uma “nova exposição”, dirigida, como a anterior, à ministra da Agricultura, mas também, desta vez, ao Presidente da República, primeiro-ministro, Comissão de Agricultura e Pescas da Assembleia da República e aos deputados eleitos pelo círculo de Coimbra.

Os apoios aos agricultores, que Isménio Oliveira considerou “da mais inteira justiça”, incluem, “como há, e bem, a outras actividades ligadas ao sector primário”, isenções de IVA e de tributação em sede de Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) no gasóleo agrícola – que duplicou de preço no espaço de um ano – ou, em opção, “um subsídio de 30 cêntimos por litro de combustível, como há para as empresas de transporte”.

“Estamos a pedir algo que já existe noutros sectores, nomeadamente em actividades do sector primário. E não pode haver aqui portugueses de primeira e portugueses de segunda”, justificou o coordenador da Adaco.

Outras reivindicações passam por apoios aos factores de produção como adubos, pesticidas, herbicidas ou rações para animais, que sofreram “aumentos brutais” no espaço de um ano. “Os adubos custam hoje três vezes mais do que há um ano, passaram de 200 euros para os 600 euros por tonelada”, exemplificou o responsável da Adaco.

Questionado pela agência Lusa sobre dados hoje divulgados que situam em 3.500 milhões de euros a riqueza criada pela agricultura em 2021, um valor que está em queda desde os anos 1980, década em que gerava mais do dobro da riqueza actual, Isménio Oliveira culpou as políticas agrícolas, quer dos sucessivos Governos portugueses, quer da União Europeia.

“Nunca tiveram em conta uma questão muito importante que é a de que a grande maioria da agricultura em Portugal é pequena e média agricultura. Na maioria dos países da UE e em Portugal, a percentagem dos pequenos e médios agricultores é muito elevada em termos de produção agrícola e nunca houve uma política de protecção, de apoio, à agricultura familiar”, argumentou o coordenador da Adaco.

Acrescentou que em Portugal, nas últimas décadas, centenas de milhar de agricultores “deixaram de ter explorações agrícolas”, afirmação confirmada pelos dados compilados pela Pordata, base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, a propósito do dia da produção nacional, que esta terça-feira se celebra, e que apontam para uma redução do número de agricultores.

Segundo esses dados, em 1989 Portugal tinha 1,5 milhões de agricultores, o equivalente a 16% da população residente, e, três décadas depois, tinha 650.000.

Ismémio Oliveira apontou o sector do leite como um “exemplo flagrante” dessa redução e da perda de produção: “Hoje, comparando com há 40 anos, 90% das explorações leiteiras desapareceram”, argumentou.

Fonte: Campeão das Províncias

GRUPO MEDIA CENTRO  |  SOBRE NÓS  |  ESTATUTO EDITORIAL  |  CONTACTOS

AS NOSSAS RÁDIOS

 

Todos os direitos reservados Grupo Media Centro

Rua Adriano Lucas, 216 - Fracção D Eiras - Coimbra 3020-430 Coimbra

Powered by Digital RM