COIMBRA,5 de Maio de 2026

Coimbra: Investigadores criam produtos de controlo do mosquito que transmite doenças

24 de Janeiro 2022 Rádio Regional do Centro: Coimbra: Investigadores criam produtos de controlo do mosquito que transmite doenças

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um conjunto de produtos para controlar a proliferação das espécies de mosquito responsáveis por transmitirem doenças como Dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental.

A UC especificou que o projecto contou com a participação da Universidade Federal da Bahia e da Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil, e que os produtos são “inovadores de origem natural, seguros e de baixo impacto ecológico”.

“Os produtos desenvolvidos – distribuídos por duas gamas, uma para eliminar as larvas em água e outra para ser utilizada em armadilhas de captura de insectos – têm na sua base óleos naturais, extraídos de plantas nativas do Brasil e da Ásia, combinados com polímeros biodegradáveis, e recorrem a técnicas e solventes ‘verdes’ e de baixo impacto ambiental. Têm ainda a particularidade de permitirem a libertação controlada dos princípios activos de forma eficiente”, referiu a Universidade.

O coordenador do projecto, Hermínio Sousa, investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) da UC, explicou que as fórmulas desenvolvidas se distinguem por serem “biodegradáveis, sem propriedades tóxicas ou perigosas para humanos, animais e meio ambiente”, tendo sido pensadas para “serem usadas, de uma forma generalizada, no controlo de mosquitos do género Aedes (Aedes aegypti, Aedes albopictus e Aedes japonicus), insectos vetores de doenças como a Dengue, Zika, febre Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental”.

Segundo a informação, os testes já realizados em laboratório revelaram que estes produtos são uma alternativa eficaz aos larvicidas e insecticidas sintéticos.

“De facto, as formulações já desenvolvidas demonstraram ser eficientes em termos das suas actividades larvicidas para o A. aegypti, seguras e de baixo impacto ecológico. Foram ainda desenvolvidas estratégias que permitiram obter produtos e formulações que podem manter a sua eficiência por períodos bastante longos de tempo”, descreveu o docente.

A UC ressalvou ainda que, apesar de os testes terem apresentado resultados francamente promissores, ainda são necessários mais estudos para estes produtos chegarem ao mercado.

“No caso das larvas, é necessário, por exemplo, optimizar a dose, isto é, verificar se é possível obter a mesma eficácia com uma dose menor. Actualmente, estamos a desenvolver mais estudos para verificar a eficiência e a segurança das formulações em termos das actividades atractivas para os mosquitos da espécie A. aegypti, para a sua captura em armadilhas”, detalhou Hermínio Sousa.

Lembrando que, no contexto das alterações climáticas, estes mosquitos podem disseminar-se e estabelecer-se em todo o mundo, de forma muito rápida, e que a Dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental já constituem um problema muito grave de saúde pública em vários países do mundo, Hermínio Sousa sublinhou que é urgente “desenvolver múltiplos meios para o controlo eficiente e seguro destes insetos nos meios rurais e urbanos, tanto nas regiões tropicais como nas regiões subtropicais e de clima temperado, e particularmente nos países ibero-americanos e mediterrânicos, como Portugal”.

O passo seguinte da investigação, adiantou o coordenador do projecto, será explorar novas abordagens e desenvolver novos estudos, de modo a “expandir o conhecimento já adquirido, quer no combate aos outros dois insectos vectores (A. albopictus e A. japonicus) associados a estas doenças, quer no uso de outros compostos naturais com actividade biológica para o seu controlo e de novas formulações e produtos que possam ser comercializados e utilizados pela população em geral”.

Este projecto, designado “Formulações inovadoras de base natural para o controle do Aedes aegypti nas regiões ibero-americanas”, envolve ainda a participação de outros investigadores do CIEPQPF-UC (Mara Braga, Marisa Gaspar, Ana Dias e Carla Maleita) e foi realizado ao longo dos últimos quatro anos no âmbito de uma cooperação bilateral entre Portugal e o Brasil, tendo sido financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Ministério da Educação do Brasil).

Fonte: Campeão das Províncias

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