COIMBRA,2 de Agosto de 2021

Biblioteca Municipal de Cantanhede reabre com exposição sobre doença e hospital

21 de Março 2021 Rádio Regional do Centro: Biblioteca Municipal de Cantanhede reabre com exposição sobre doença e hospital

A exposição “Hansen Stories – Memórias inéditas sobre uma doença e um hospital” – está aberta ao público, até 09 de Abril, na Biblioteca Municipal de Cantanhede.

A mostra, promovida pelo Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, “é constituída por quinze painéis informativos e remete os visitantes para um conjunto de memórias, contadas na primeira pessoa, que compartilharam o mesmo espaço – o Hospital Colónia Rovisco Pais (Tocha – Cantanhede), última e única Leprosaria Nacional, especializada no tratamento da doença de Hansen (1947 e 1996)”, disse a autarquia de Cantanhede.

Esta iniciativa integra-se no projecto “Rovisco Pais old leprosy – a museological nucleus and storytelling website” e resulta de uma selecção de “stories” de ex-utentes, ex-funcionários ou visitantes do antigo Hospital que integram a colecção reunida no website com o mesmo nome e que apresentam como característica comum o facto de serem inéditas.

Através da exposição “é possível conhecer testemunhos de pessoas que trabalharam e viveram nesta Instituição hospitalar”, afirmou o Executivo, salientando que este projecto surgiu com o patrocínio da Sasakawa Health Foundation, a curadoria da CulturAge, numa parceira com o designer de Rui Veríssimo.

“A Fundação Sasakawa, patrocinadora da mostra, é uma organização sem fins lucrativos e objectivos filantrópicos, criada em 1981 por Yohei Sasakawa, presidente da Fundação Nippon. Esta fundação japonesa dedica-se a apoiar causas humanitárias em todo o mundo, sendo uma das principais a eliminação da doença de Hansen e o preconceito que está associado à doença”, informou o Executivo.

O Hospital-Colónia Rovisco Pais, também denominado de Leprosaria Nacional, foi inaugurado a 7 de Setembro de 1947, com vista ao tratamento, estudo e profilaxia da lepra.

Edificado na vila da Tocha, concelho de Cantanhede, numa propriedade agrícola com cerca de 140 hectares, o Hospital-Colónia permitia a lotação de 1 000 hansenianos. O projecto arquitectónico foi da responsabilidade de Carlos Ramos (1897-1969), um dos mais destacados arquitectos portugueses da época no domínio hospitalar.

Fernando Bissaya Barreto, médico-cirurgião e filantropo (1886-1974) esteve intimamente ligado à criação do Hospital-Colónia, instituindo no mesmo um modelo profiláctico e terapêutico da leprologia moderna.

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