A Cooperativa Agrícola do Concelho de Montemor-o-Velho promove, no próximo dia 6 de Março, o XVIII Seminário dedicado à “Agricultura do Baixo Mondego”, iniciativa que decorrerá no Fórum Cultural de Montemor-o-Velho e que reunirá agricultores, técnicos, dirigentes associativos e responsáveis institucionais para debater os principais desafios do sector.
O encontro realiza-se num momento particularmente sensível para a região, na sequência do colapso do canal de rega do Mondego, ocorrido após as cheias do início de Fevereiro. As cooperativas agrícolas do vale alertaram recentemente a Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas para a necessidade de a reparação estar concluída até 1 de Maio, sob pena de ficar comprometida a próxima campanha agrícola.
Segundo os dirigentes cooperativos, estão em causa cerca de 12 mil hectares de terrenos — seis mil dedicados ao arroz e outros tantos ao milho — envolvendo 2.400 famílias. Caso falhe a sementeira, a região poderá perder cerca de 70 mil toneladas de milho e 30 mil toneladas de arroz, o que representa um volume de negócios estimado em 50 milhões de euros.
Os produtores alertam ainda que não dispõem de capacidade financeira para suportar um ano sem colheitas, numa conjuntura já marcada por uma descida de cerca de 50% nos preços pagos à produção nos últimos três anos.
Programa centrado na inovação e nos desafios estruturais
O seminário terá início às 9h00, com a recepção aos participantes, seguindo-se, às 9h30, a sessão de abertura, com intervenções do Conselho de Administração da Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho, do presidente do Conselho de Administração da CCAM Baixo Mondego e da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.
A partir das 10h00, o programa técnico abordará temas centrais para a competitividade das explorações agrícolas. A ADP, representada por Paula Rodrigues, apresentará uma comunicação sobre inovação e fertilização e as suas vantagens para o sector. Seguir-se-á Vasco Salgueiro, da Pioneer, que analisará as pragas e doenças emergentes na cultura do milho.
A regeneração produtiva dos arrozais será outro dos pontos fortes do encontro, com casos práticos apresentados pela Quinta do Fôja, por Gonçalo Canha, bem como intervenções da CCDRC, por António Jordão, sobre novas variedades de arroz, e da LUSOSEM, por Manuel Lauriano, enquadrando as variedades no atual contexto de mercado.
Às 11h00 realiza-se uma mesa redonda subordinada ao tema “Os desafios para o Baixo Mondego”, com a participação do presidente da AOP, Carlos Amaral, do presidente da ANIA, do presidente da ANPROMIS, Jorge Neves, do presidente da AAVM, João Grilo, do presidente da ABOFHBM, Pinto Costa, e do vice-presidente da CCDRC, Vasco Estrela. A moderação estará a cargo de Nuno Serra, da CONFAGRI.
Após o almoço, os trabalhos retomam às 14h30 com uma sessão dedicada ao Apoio ao Rendimento Base (ARB), medidas agro-ambientais, incluindo PRODI, Agricultura Biológica e protecção das aves nos arrozais, condicionalidade e apoios ligados, bem como à regeneração produtiva dos arrozais. A intervenção estará a cargo de David Jorge, da CONFAGRI.
O encerramento, marcado para as 16h00, contará com intervenções do presidente da Cooperativa Agrícola do Concelho de Montemor-o-Velho, do presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho e do Ministro da Agricultura, Eng.º José Manuel Fernandes.
Reparação do canal continua a ser prioridade
Embora o seminário tenha como foco principal a inovação, a sustentabilidade e os instrumentos de apoio ao rendimento, a reparação do canal de rega do Mondego deverá dominar as preocupações dos participantes. A Agência Portuguesa do Ambiente assegurou que tudo fará para garantir água no canal até ao início de Maio, ainda que de forma provisória, compromisso reiterado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que admitiu a conclusão da obra nessa data, caso não surjam imponderáveis.
A par da intervenção urgente no canal, autarcas de Montemor-o-Velho e de Soure defenderam recentemente a necessidade de rever o modelo de gestão do Baixo Mondego, à semelhança do que foi implementado na Ria de Aveiro e no Alqueva, no Alentejo.
Fonte: Campeão das Províncias
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