COIMBRA,15 de Outubro de 2026

Quase uma em cada 10 pessoas vive em situação de pobreza persistente em Portugal

15 de Outubro 2026 Rádio Regional do Centro: Quase uma em cada 10 pessoas vive em situação de pobreza persistente em Portugal

Em 2025, 9,5% da população residente em Portugal vivia em risco de pobreza persistente e tinha estado na mesma situação em, pelo menos, dois dos três anos anteriores. É essa a conclusão do estudo “Trajectórias da Pobreza e da Privação – Uma análise da última década”, desenvolvido no âmbito do projecto “Portugal, Balanço Social”, da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE.

De acordo com a análise, “entre os 15,4% da população que vivia em risco de pobreza em 2025, 61,7% encontrava-se numa situação de pobreza persistente”. A investigação, da autoria de Bruno P. Carvalho, João Fanha, Miguel Fonseca e Susana Peralta, analisa as trajectórias de rendimento dos indivíduos e identifica entradas e saídas da situação de pobreza. Acompanha, por isso, as mesmas pessoas durante períodos de quatro anos, o que permite distinguir situações transitórias de vulnerabilidade de situações em que a pobreza e a privação se prolongam no tempo.

Os resultados mostram que “a taxa de pobreza de um determinado ano esconde trajectórias muito díspares. Entre 2022 e 2025, 25,6% da população residente em Portugal esteve em risco de pobreza durante, pelo menos, um dos quatro anos analisados”. Destes, 8,8% permaneceram nessa condição durante um ano, 5,3% durante dois, 4,6% durante três e 6,9% permaneceram nessa situação nos quatro anos. Em contrapartida, “74,4% da população nunca esteve em risco de pobreza durante o período”, indica.

Situação melhorou na última década

Apesar dos números continuarem a ser preocupantes, a evolução da última década revela uma melhoria significativa. “A taxa de pobreza persistente passou de 13,6% em 2015 para um mínimo de 7,1% em 2024. Em 2025, contudo, verificou-se uma inversão desta evolução recente, com o indicador a subir para 9,5%”, revela a análise.

Além disso, nos últimos dez anos, o perfil etário da pobreza persistente também mudou. “Se no início do período analisado eram as crianças e jovens que apresentavam maior incidência, em 2025 são as pessoas com 65 ou mais anos que registam a taxa mais elevada, de 10,6%, face a 9,3% entre os menores de 18 anos e 9% entre a população dos 18 aos 64 anos”, acrescenta.

Como justificação para esta alteração, o estudo aponta a forte redução da pobreza entre a população mais nova: entre crianças e jovens, a taxa caiu de 18,1%, em 2015, para 9,3%, no ano passado. Para além disso, também existem diferenças entre homens e mulheres. “Em 2025, 10% das mulheres estavam em risco de pobreza persistente, comparativamente com 9% dos homens. Entre 2022 e 2025, 27,1% das mulheres passaram pelo risco de pobreza durante, pelo menos, um ano, face a 23,8% dos homens”, salienta a investigação.

No que diz respeito às dificuldades que mais persistem no tempo, o estudo menciona a capacidade financeira das famílias. “Um quarto da população (25,4%) não conseguiu pagar uma semana de férias fora de casa de forma persistente, 22,4% não conseguiu substituir móveis usados e 20,7% não teve capacidade para fazer face a despesas inesperadas”, sublinha.

A permanência em situações de vulnerabilidade económica está também associada a diferenças expressivas no bem-estar. “Entre as pessoas em pobreza persistente, 6,9% declararam-se ‘nada satisfeitas’ com a vida e 4,6% ‘pouco satisfeitas’. Entre quem não estava em pobreza persistente, a proporção conjunta de pessoas ‘nada’ ou ‘pouco’ satisfeitas era de apenas 2,8%”, reforça ainda.

O estudo “Trajectórias da Pobreza e da Privação – Uma análise da última década” utiliza a dimensão longitudinal do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), seguindo uma amostra representativa de 6.057 indivíduos entre 2022 e 2025, e complementa estes dados com os períodos anteriores, desde 2012 a 2015.

Fonte: Campeão das Províncias

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