O Crepúsculo – Obra de Inez Afonso
É já amanhã, 5 de Setembro, pelas 15h00, que o Alma Shopping, em Coimbra, recebe “ECOLOGIA, Relações Humano – Não Humano no Antropoceno”, uma exposição colectiva da Comunidade Artistas Inteligentes (CAI) que reúne obras de 15 artistas plásticos e propõe uma reflexão sobre o lugar do ser humano numa rede de relações de interdependência com outras formas de vida, matérias, territórios e ecossistemas.
Mais do que olhar para a natureza como algo exterior ao ser humano, ECOLOGIA convida a pensar o mundo como uma rede partilhada, onde tudo se relaciona e se transforma mutuamente.
Uma exposição sobre o mundo que habitamos
A escolha deste tema ganha particular significado perante o momento que atravessamos. As alterações climáticas, os fenómenos extremos, os incêndios, a perda de biodiversidade, as transformações dos territórios e as crises que marcam o contexto internacional tornam cada vez mais evidente a fragilidade e a interdependência dos sistemas que sustentam a vida.
É neste contexto que a CAI propõe um outro olhar: não apenas sobre aquilo que está a acontecer ao planeta, mas sobre o nosso próprio lugar dentro dele.
“Estamos a viver um momento em que já não podemos olhar para o mundo como algo que existe à nossa volta, separado de nós. As guerras, as alterações climáticas, os incêndios, a perda de biodiversidade e as profundas transformações dos territórios mostram-nos, de formas diferentes, que tudo está ligado. A exposição ECOLOGIA nasce precisamente dessa inquietação: da necessidade de questionarmos a ideia de que o ser humano está no centro e de reconhecermos que fazemos parte de uma rede muito maior, onde cada acção tem consequências sobre outras formas de vida. A arte pode ajudar-nos a parar, a olhar e a imaginar outras formas de relação com o mundo”, afirma Alice Joana Gonçalves, fundadora da Comunidade Artistas Inteligentes e curadora da exposição ECOLOGIA, Relações Humano – Não Humano no Antropoceno.
Através do trabalho dos seus artistas plásticos, a exposição aborda relações de afeto, cuidado, dependência, domesticação, violência e coabitação, entendendo-as como dimensões de uma ecologia que ultrapassa a relação entre o ser humano e a natureza. Animais, plantas, fungos, rios, paisagens e territórios são aqui pensados como participantes de uma rede que determina e condiciona a própria existência humana.
ECOLOGIA não pretende apresentar respostas fechadas, mas abrir espaço para novas perguntas: que lugar ocupamos no mundo? O que significa viver em relação? E será possível imaginar outras formas de coexistência?
A exposição afirma-se, assim, como uma proposta colectiva da Comunidade Artistas Inteligentes e dos seus artistas plásticos, usando a arte como espaço de reflexão sobre o presente e sobre a forma como habitamos um mundo que, afinal, nunca existiu separado de nós.
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