O cantor Luís Represas, que integrava os Trovante, morreu hoje, aos 69 anos, vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava.
O cantor Luís Represas comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo actuado com a banda no Meo Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.
Em 2005 foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito – grau de Comendador.
O músico Luís Represas dizia que o essencial de um artista é ter-se uma identidade, contruída em 50 anos de carreira entre os Trovante e em nome próprio, ao lado de dezenas de outros músicos.
“A minha impressão digital, aquilo que me faz ser eu e que me faz ser diferente dos outros, é o fundamental. Isso é que é o meu barco, o meu barco é esse e é nesse barco que tenho que navegar. E que eu quero e que gosto de navegar”, afirmou à agência Lusa em 2024, quando editou o álbum “Miragem”.
Para celebrar os 50 anos de carreira, Luís Represas tinha anunciado dois concertos para Abril de 2027 nos coliseus de Lisboa e do Porto. Luís Represas nasceu em Lisboa em 1956 e pouco antes de completar 20 anos, no Verão de 1976, fundou os Trovante com os amigos e o irmão – João Gil, Manuel Faria, Artur Costa e João Represas – e um ano depois saiu o álbum “Chão Nosso”.
Esse disco de estreia assinalou a identidade musical do grupo, fortemente influenciado pela música de cariz popular e tradicional e pelo rock. Trovante era ainda “uma mistura de trova, músico ambulante, e avante, para a frente, no melhor sentido da palavra”, como contou Manuel Faria numa biografa da banda publicada em 2003.
Os Trovante permaneceriam ativos até aos anos 1990, editando, por exemplo, “Baile no Bosque” (1981) e “Cais das Colinas” (1983), e até hoje reuniram-se algumas vezes depois, nomeadamente em 1999, em 2006 e em 2017.
Luís Represas lança-se a solo em 1993, com o álbum “Represas”, fruto de uma viagem a Cuba, onde foi gravado, e onde tocou com vários músicos, entre os quais Pablo Milanés (1943-2022).
Com músicas como “Fora de Tempo”, “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira”, este álbum foi fundamental no seu percurso: “Foi um reencontro comigo próprio”, como contou à agência Lusa em Março passado, quando anunciou os concertos de 2027.
“A primeira fase é a do aparecimento do Trovante, em 1976, e toda essa fase, até 1992, a história já foi mais do que contada, está mais do que contada, fez-se espetáculos [o grupo voltou a juntar-se ao vivo algumas vezes, a última das quais em março deste ano], onde a história se contou ainda mais”, referiu.
Desde o final dos Trovante até hoje “vem uma história que se calhar não foi tão contada, mas foi muito vivida”. “Foi necessário arranjar uma distância em relação ao passado, sem me divorciar do passado, porque o passado faz parte daquilo que sou artisticamente e musicalmente. Mas foi preciso encontrar essa distância para não continuar a fazer coisas que fazia antigamente, ou de repente começar-me a baralhar e perder o meu norte”, partilhou.
Em 1996, editou “Cumplicidades”, álbum que contou com a colaboração do pianista Bernardo Sassetti (1970-2012). Seguiram-se “A hora do lobo” (1998), “Código Verde” (2000), “Reserva Especial” (2001) e “Fora de Mão” (2003).
Em 2008 voltou a editar um álbum gravado na íntegra em Cuba, “Olhos nos olhos”, e em 2011 volta a juntar-se a João Gil, cúmplice dos Trovante, para um álbum conjunto: “Luís Represas e João Gil”. Depois, editou “Cores” (2014), “Boa hora” (2018) (distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores), “Miragem” (2024) e vários álbuns ao vivo.
Da história de Luís Represas faz parte ainda o apoio à independência de Timor-Leste.
Fonte: Campeão das Províncias
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