COIMBRA,6 de Maio de 2026

Investigação em Coimbra quer combater escassez de órgãos para transplante renal

22 de Fevereiro 2022 Rádio Regional do Centro: Investigação em Coimbra quer combater escassez de órgãos para transplante renal

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e médicos do Centro Hospital Universitário de Coimbra (CHUC) estão a desenvolver um algoritmo inteligente que permita auxiliar os médicos na tarefa de avaliar as biópsias renais de dadores falecidos no momento da colheita.

Esta investigação, com o título “Redes neurais convolucionais para avaliação de biópsias de dadores cadáver de rim em tempo-zero”, decorre na Unidade de Transplante Renal do CHUC, em cooperação com a Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos da América (EUA), pretende solucionar o problema relacionado com a rejeicção de cerca de 50% dos rins provenientes de dadores falecidos para transplante, dado que os métodos actuais de classificação de biópsias renais, um meio essencial para o médico decidir se o órgão doado pode ou não ser utilizado, são subjectivos e propensos a erros de avaliação.

Luís Rodrigues, investigador do projecto e recentemente distinguido pela Sociedade Portuguesa de Nefrologia, salienta que “a biópsia fornece informação essencial para a avaliação da qualidade do órgão e se reúne ou não condições para ser implantado no receptor”. Porém, os actuais métodos de classificação das biópsias renais são visuais, semi-quantitativos e, por vezes, imprecisos, o que significa que “é um exame que resulta da observação humana e depende muito da experiência do especialista que interpreta os resultados, sendo difícil prever a evolução do órgão a longo prazo”.

De acordo com o médico do CHUC, os métodos utilizados actualmente envolvem “um processo muito manual, laborioso e subjectivo, susceptível de gerar o desperdício de órgãos que poderiam ser utilizados, sujeita à forma com o clínico classifica uma imagem”.

O investigador afirma que “a melhor opção terapêutica para tratar doentes com insuficiência renal muito grave, dependentes de hemodiálise, é o transplante”, mas realça que a escassez de órgãos constitui “um grande problema”.

Esta investigação decorre no âmbito de uma tentativa de “desenvolver ferramentas que permitam aumentar o número de órgãos disponíveis para transplante e optimizar a sua alocação, melhorando assim a sobrevida e qualidade de vida dos receptores dos órgãos”, visto que, “em Portugal, a taxa de incidência de doença renal terminal tratada é uma das maiores da Europa e a lista de espera para transplante aumenta todos os anos”, refere o médico da FMUC.

A equipa do projecto está confiante de que a inteligência artificial pode ser uma grande aliada para evitar o desperdício de órgãos, mas não só. Luís Rodrigues esclarece que o grande objectivo da investigação, que faz parte do seu doutoramento, orientado pelo professor Rui Alves, é desenvolver um algoritmo inteligente de análise de imagem que, “para além de aumentar a eficácia e precisão da caracterização morfológica dos rins doados, também melhore a alocação dos órgãos, com correspondência de longevidade entre dador e receptor”.

O investigador dá nota de que “os dados obtidos através da análise computacional podem fortalecer significativamente a nossa capacidade de prever os resultados do transplante e optimizar o uso e a alocação de órgãos. Quanto mais durarem os órgãos que nós implantamos, menor é a possibilidade de um segundo transplante e menor é a possibilidade de precisarmos de mais um dador”.

Se o desenvolvimento de um novo meio de diagnóstico, baseado em inteligência artificial, que permita uma abordagem robusta e sistemática de análise de biópsias renais for bem-sucedido, Luís Rodrigues estima que “entre 10 e 25% dos órgãos que actualmente são rejeitados poderão ser aproveitados”. No entanto, acautela, até conseguir um algoritmo robusto para ser aplicado na patologia renal, a equipa ainda tem muito trabalho pela frente. Neste momento, os investigadores estão a recolher informação junto de doentes renais envolvidos no projecto. Os dados obtidos na amostragem clínica serão aplicados na aprendizagem e no treino do algoritmo.

O projecto envolve a colaboração dos serviços de Nefrologia, de Urologia e Transplantação Renal e de Anatomia Patológica. Além de Luís Rodrigues e Rui Alves, a equipa portuguesa é constituída por Vítor Sousa, Rui Almeida, Ana Pimenta, Catarina Romãozinho, Lídia Santos, Edgar Silva e Arnaldo Figueiredo.

Fonte: Campeão das Províncias

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