Sobre a forma como superava as limitações próprias da idade, Ernesto Nunes deu a resposta que está no cartaz
Ernesto Nunes, charadista, autor de vários livros de prosa e poesia, e dotado de um assinalável sentido de humor, faleceu, esta sexta-feira, aos 93 anos, em Coimbra.
Pai de Maria Paula, professora também autora de vários livros, Ernesto Nunes tem dois netos e dois bisnetos. O funeral será em data e local ainda a indicar.
Ernesto Nunes tinha sempre mil e uma histórias para contar, ou não fosse o campeão do charadismo, de inúmeros livros de poesia e prosa, de prémios em jogos florais e participação em vários concursos na Televisão.
Durante vários anos teve uma página charadística no “Campeão” com seguidores em todo o país, incluindo as ilhas, e com prémios da Porto Editora, onde colaborava com a Agenda Doméstica.
Diariamente, Ernesto Nunes prosseguiu com anedotas e histórias diárias para animar os ouvintes da Rádio Regional do Centro, escutadas sempre com encanto.
Iniciou-se no charadismo, com 14 anos, adoptou o nome de El Nunes (E de Ernesto, L de Lopes) e também se dedicou ao policiário com o pseudónimo de Inspector Moisés. Participou em muitos jogos florais e conquistou várias dezenas de prémios, quer em poesia, quer em prosa. Já publicou 14 obras, muitas delas reeditadas e esgotadas, mas humildemente não se considerava um escritor. Entrou em quase 13 dezenas de concursos na televisão, com grande sucesso.
Durante 30 anos manteve, também, uma secção de charadismo no “Diário de Coimbra”, tendo prosseguido com os Passatempos na edição semanal do “Campeão”.
“Campeão” publicou dois livros
Há cerca de cinco anos, Ernesto Nunes deu o privilégio de o nosso Jornal publicar dois livros da sua autoria, um em prosa e outro em verso, numa edição do “Campeão das Províncias” e que assim se estreou nesta área editorial através de uma personalidade nacional na área do charadismo, com uma vasta obra literária premiada.
“Coração que sente” foi o 13.º livro de Ernesto Nunes, com quadras, sonetos décimas e outros poemas, que mantinha a frescura dos seus longos anos de vida e, como escreveu Maria Luísa Azevedo, no prefácio, “quem não estiver contente com o mundo que hoje tem / encontra aqui o exemplo, o talento e o alento / para dar a volta por dentro à sua vida também”.
O 14.º livro, “Uma vida de caminhos”, foi de contos, com Ernesto Nunes a evocar o que Lino Vinhal, director do “Campeão”, escreveu: “o inventário cultural de quem sempre amou a escrita por amor às letras”.
Para Maria Luísa Azevedo, que faz também este prefácio, “Ernesto Nunes é “senhor de uma longa e rica existência, uma pessoa bem-disposta, um homem do seu tempo, que vive várias vidas: a que experiência, a que imagina e a que relata – e com os fios de todas elas tece as histórias que nos oferece”.
Fonte: Campeão das Províncias
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