COIMBRA,4 de Agosto de 2021

UC recebeu projecto que estuda a dor lombar em atletas de alta competição

7 de Março 2021 Rádio Regional do Centro: UC recebeu projecto que estuda a dor lombar em atletas de alta competição

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC) recebeu, no sábado (06), o projecto que procura estudar a relação entre o cérebro e a região lombar.

Este é um projecto de investigação que envolve instituições de Coimbra e de Lisboa e contando com a participação de atletas de alto rendimento e doentes crónicos.

O evento contou com a presença dos ex-jogadores da selecção nacional de futebol Costinha e Paulo Ferreira, que se voluntariaram para participar no estudo que investiga a dor lombar crónica.

“Isto foi um desafio que o doutor Rui Manilha, da Universidade Nova, fez ao ICNAS para estudar como o cérebro controla a coluna lombar. Por incrível que pareça, é muito pouco conhecida a forma como o cérebro controla o movimento desta região tão importante do corpo, que tantas dores traz, se calhar a mais de 80% da população”, contou Miguel Castelo-Branco, director do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) da UC, em declarações à Lusa.

O estudo, além de envolver pessoas ditas saudáveis e doentes crónicos, conta também com a participação de atletas, nomeadamente do futebol e do remo.

“Isto é uma preocupação muito importante para atletas de alto rendimento. Há atletas que sofrem dor crónica por usarem demasiado a coluna e há pessoas que, por excesso de sedentarismo e má postura, acabam por desenvolver patologia crónica”, salientou o director.

O estudo deverá ter uma duração de dois a três anos, esperando contar com cerca de 60 participantes.

“No fim, esperamos ter os primeiros mapas da zona do cérebro que controla a coluna lombar, quer na saúde, quer no alto rendimento, quer na doença”, acrescentou.

Segundo o neurocirurgião Rui Manilha, ainda “não existe um estudo que correlacione a parte motora com a lombalgia”.

No entanto, vincou, “faz sentido” que exista uma correlação.

“Se há uma alteração sensitiva também é normal que isso possa ter uma correlação com a parte motora”, explicou, referindo que o estudo também irá tentar perceber “se os atletas de alto rendimento têm um padrão diferente de pessoas com lombalgia e se pessoas normais têm um padrão diferente das pessoas com lombalgia”.

Com o estudo, poderá levantar-se “um pouco o véu sobre o tipo de comportamento motor” que se pode indicar às pessoas “no sentido de prevenir ou de minorar as queixas de lombalgia”, aclarou Rui Manilha.

Para o fisioterapeuta da seleção nacional de futebol António Gaspar, é normal encontrar na sua actividade futebolistas com lombalgias, alguns “com recorrência”, sendo algo que inibe os atletas “do desempenho da sua actividade profissional”.

“É sempre um prazer colaborar com a ciência”, acrescentou.

O ex-jogador de futebol Paulo Ferreira, que participa no estudo, sente mais dores lombares desde que acabou a sua carreira, referindo que, por não ter umas costas “muito direitas”, quando passa muito tempo em pé começa “a sentir algumas dores”.

“Sabendo que seria algo útil para o bom funcionamento do corpo humano, coloquei-me à disposição para efectivamente ajudar a perceber muito daquilo que é a compreensão do nosso corpo humano”, salientou Costinha.

Jornal Campeão das Províncias

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