COIMBRA,18 de Maio de 2026

Mais de 300 pessoas marcham em Coimbra contra a homofobia e transfobia

18 de Maio 2026 Rádio Regional do Centro: Mais de 300 pessoas marcham em Coimbra contra a homofobia e transfobia

Mais de 300 pessoas desfilaram no domingo na cidade de Coimbra contra a homofobia e transfobia, numa iniciativa da Plataforma Anti-Transfobia e Homofobia (PATH), num momento considerado “particularmente sensível”.

“Pretendemos dizer que é o nosso dever falar, que não permitimos que o nosso Governo silencie as nossas histórias e tente retroceder nos nossos direitos. E é importante que nos juntemos todos neste tipo de iniciativas para falarmos, contarmos as nossas histórias e dizermos os problemas que nos afetam no dia-a-dia”, disse Beatriz Janicas da PATH de Coimbra.

A 17.ª Marcha da Luta Contra a Homofobia e Transfobia de Coimbra partiu do Jardim do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, na margem esquerda do rio Mondego, em direcção à Praça 8 de Maio.

“É definitivamente um momento particularmente sensível. Vimos isso com os projectos de lei que o Chega, o PSD e o CSD-PP tentaram promulgar e conseguiram para retroceder nos direitos da autodeterminação das pessoas trans e intersexo. E é muito importante mostrarmos que aqui estamos, somos visíveis, somos muitos e continuaremos a lutar pelos nossos direitos”, acrescentou.

Beatriz Janicas mostrou ainda satisfação pelo hastear da bandeira LGBTQIA+ no edifício da Câmara Municipal de Coimbra, admitindo que tiveram incertezas se ia ser permitido “por causa do projeto de lei contra o hasteamento de bandeiras ideológicas”.

“Conseguimos. Estamos muitos felizes com isso, mas não pode terminar aqui. Não pode ser só um gesto para a beleza da cena, tem de ser algo que realmente tenha impacto para a nossa comunidade a partir daqui”, indicou.

Ao longo da marcha, os participantes exibiram cartazes e faixas nos quais se podia ler: “Silêncio = morte”; “A transfobia mata”, “Falar é uma arma” ou “Faz ruído pela igualdade”. Foram ouvidos também cânticos como: “Nem menos, nem mais, direitos iguais”, “Deixa passar, sou LGBT e o mundo vou mudar” e “Chega de ódio, chega de dor, queremos as crianças educadas com amor”.

À agência Lusa, Ana Gomes, que se mudou para a cidade há pouco tempo, disse ser casada com uma mulher e que, com esta participação, queriam “mostrar que existem pessoas em Coimbra que são homossexuais e vivem como outras pessoas normais”.

“Acho que é importante haver visibilidade”, salientou.

Para Luís Martin, francês a viver com a família há quatros anos em Vila Nova de Poiares, esta foi a primeira vez que marcou presença na marcha, salientando também a importância de passar uma mensagem à filha.

“Acho que este ano é muito importante, porque os direitos em Portugal, mas [também] no mundo inteiro, estão a regredir muito e temos uma filha de 9 anos e achamos que é muito importante para ela ver que estamos aqui para defender os nossos direitos e afirmar que temos o direito de viver uma vida como todos”, disse.

Já Maria José Bernardo, de 61 anos, contou à Lusa que se juntou à marcha por querer “defender os direitos” do filho, “que, neste momento podem estar em algum risco”.

“Há leis que estão a querer ser mudadas e que são impostas pelo Governo e que podem passar”, justificou, admitindo “alguns receios”. “O dia-a-dia já não é fácil e se há os retrocessos nas leis, não é bom. É por isso que estou aqui”, concluiu.

Fonte: Campeão das Províncias

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