COIMBRA,25 de Outubro de 2026

Lousã homenageia quatro participantes na Revolta dos Marinheiros 90 anos depois

10 de Setembro 2026 Rádio Regional do Centro: Lousã homenageia quatro participantes na Revolta dos Marinheiros 90 anos depois

A Lousã presta homenagem no sábado (12) a quatro lousanenses que participaram, há 90 anos, na Revolta dos Marinheiros, insurreição contra a ditadura de Salazar, ocorrida na barra do Tejo, em Lisboa.  

Esta iniciativa é promovida pela Comissão Memória e Tributo, em parceria com a Câmara Municipal da Lousã e cooperativa Trevim, e tem como momento central a conferência “Lousanenses na Revolta dos Marinheiros 90 anos depois. Memória, resistência e repressão”, às 15h00, na Biblioteca Municipal Comendador Montenegro.  

A sessão será conduzida pelo historiador João Esteves e contará com a exposição de cerca de 25 páginas publicadas pelo jornal Trevim ao longo dos últimos 30 anos sobre os percursos dos quatro participantes do concelho. 

O programa inclui ainda um momento de poesia por Filomena Martins, membro da Comissão Memória e Tributo, e uma actuação musical do professor Manuel Neto. 

As comemorações começam às 10h30, com uma recepção nos Paços do Concelho, seguindo-se uma visita aos antigos locais de residência ou trabalho dos homenageados, onde foram colocados, há 20 anos, painéis evocativos.  

A Revolta dos Marinheiros ocorreu na madrugada de 8 de Setembro de 1936 e envolveu as guarnições dos navios de guerra Dão, Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias.  

A insurreição, organizada pela Organização Revolucionária da Armada, ligada ao PCP, fracassou e resultou em forte repressão.  

Entre os quatro homenageados está Ismael Fernandes, oriundo do concelho de Penela, que foi um dos 12 mortos na revolta. 

Hermínio Martins passou quase 15 anos no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, enquanto Adelino Mendes se exilou em Havana, Cuba, onde viria a ser distinguido por Fidel Castro, em 1979, pelo seu contributo para a Revolução Cubana. 

Jorge Antunes dos Santos trabalhou posteriormente na produção de carvão na Serra da Lousã e acabou por se exilar em França. 

Segundo a organização, está prevista a presença de familiares de alguns dos antigos marinheiros, actualmente radicados em diferentes pontos do país.  

Fonte: Campeão das Províncias

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