COIMBRA,16 de Abril de 2024

Estudo da Universidade de Coimbra revela consequências da propagação de acácias

25 de Março 2024 Rádio Regional do Centro: Estudo da Universidade de Coimbra revela consequências da propagação de acácias

Um estudo liderado pela Universidade de Coimbra (UC) revelou que a invasão de acácias em florestas ribeirinhas está a afectar as comunidades aquáticas nos ribeiros. Os detalhes desta pesquisa foram publicados na revista Freshwater Biology.

De acordo com o mais recente relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema, a invasão por espécies exóticas representa uma séria ameaça à biodiversidade e ao funcionamento dos ecossistemas. A mimosa (Acacia dealbata), uma árvore exótica originária da Austrália, é uma das principais espécies invasoras na região Centro de Portugal, especialmente na bacia do rio Mondego, onde já ocupa áreas significativas.

Verónica Ferreira, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, salienta que “este estudo demonstra que as invasões biológicas num ecossistema terrestre podem ter efeitos nos ecossistemas adjacentes, como os ribeiros, sendo crucial considerar a interdependência entre os ecossistemas na avaliação dos impactos dessas invasões”.

A pesquisa também concluiu que “a diversidade de microrganismos decompositores e de macroinvertebrados é menor nos ribeiros que atravessam áreas de acácia, comparativamente aos ribeiros associados a florestas de espécies nativas, devido à menor diversidade de detritos vegetais provenientes das acácias, que predominam nesses ribeiros”.

A coordenadora do estudo alerta que “estas mudanças na diversidade dos organismos aquáticos nos ribeiros afectados pela invasão são preocupantes, uma vez que comunidades menos diversas podem ser menos resilientes a alterações ambientais, como as associadas às mudanças climáticas, e menos eficazes na realização de funções vitais no ecossistema, como a reciclagem de nutrientes”.

Dada a complexidade na gestão de espécies invasoras na floresta ribeirinha, devido à extensão das áreas afectadas, ao difícil acesso e à necessidade de controlo contínuo, Verónica Ferreira sugere que “a melhor abordagem é proteger as zonas ribeirinhas nas partes altas das bacias hidrográficas, que geralmente estão em melhor estado de conservação, o que pode implicar a limitação do acesso humano e uma monitorização constante para eliminar a presença de indivíduos de mimosa isolados”.

Para investigar os efeitos da invasão da floresta ribeirinha por mimosa na diversidade e abundância de microrganismos decompositores e de macroinvertebrados, assim como na decomposição de detritos vegetais, os investigadores da UC realizaram amostragens e medições mensais ao longo de um ano em seis ribeiros na Serra da Lousã, uma área grandemente invadida por mimosa, bem como em três ribeiros em florestas de espécies nativas e três ribeiros em florestas invadidas por mimosa.

Este estudo foi conduzido no âmbito do projecto “EXSTREAM – Efeitos de Espécies Exóticas de Árvores nas Comunidades e Processos de RIOS: o caso da invasão de florestas nativas por Acacia spp.”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e coordenado por Verónica Ferreira, com a colaboração do professor e investigador Albano Figueiredo do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Faculdade de Letras da UC.

Fonte: Campeão das Províncias

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