COIMBRA,8 de Maio de 2026

Coimbra: Interesse histórico e cultural do Café Santa Cruz e Ourivesaria Costa

13 de Junho 2022 Rádio Regional do Centro: Coimbra: Interesse histórico e cultural do Café Santa Cruz e Ourivesaria Costa

A Câmara Municipal de Coimbra vai analisar e votar, na sua reunião de amanhã (13), uma proposta de reconhecimento do Café Santa Cruz como entidade de interesse histórico e cultural ou social local. O executivo municipal já tinha aprovado, na sua reunião de 10 de Janeiro, a intenção de candidatura, tendo a decisão sido submetida a um período de consulta pública que terminou sem que desse entrada nos serviços municipais qualquer participação. Na mesma reunião, o executivo municipal vai analisar e votar o eventual reconhecimento da Ourivesaria Costa, proposta essa que será depois submetida a um período de consulta pública de 20 dias.

O espaço do Café Santa Cruz, situado na Praça 8 de Maio, na Baixa de Coimbra, remonta a 1896, uma vez que segundo a ficha da candidatura “já seria um estabelecimento comercial (mercearia ou café) o que se testemunha” com um artigo do jornal “Portugal”, de 27 de Junho, onde é referido: «transforma(m) o templo de Santa Cruz num verdadeiro tasco».

“Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, a Igreja de S. João de Santa Cruz é dessacralizada e este espaço assume as mais diversas funções comerciais: uma taberna, um armazém de ferragens e de canalizações, uma esquadra da polícia, uma casa funerária, uma estação (quartel) de bombeiros, uma estação de correios e uma casa de habitação”, refere ainda a candidatura, acrescentando que “desde 8 de maio de 1923 que o Café Santa Cruz está instalado na antiga Igreja de S. João de Santa Cruz”. “No entanto, por imposição da lei, pela qual todos os estabelecimentos similares tiveram que requerer licença para manter as portas abertas, o estabelecimento adquiriu o seu Alvará em maio de 1930”, é ainda referido.

Actualmente, o Café Santa Cruz é sede e ponto dinamizador da Associação Portuguesa dos Café com História, que a partir de 2015 inclui toda a gestão da Rota dos Cafés com História de Portugal. “Dentro do sector dos Cafés Históricos será certamente dos últimos e o mais genuíno de Coimbra e Portugal”, salienta a candidatura, evidenciando ainda o seu papel na “preservação da memória do serviço de restauração”, designadamente os “crúzios”, vencedores de diversas medalhas de ouro no concurso de doçaria tradicional promovido pelo CNEMA. Um doce lançado no dia 5 de Março de 2012, que pretende homenagear o café, a igreja e o mosteiro de Santa Cruz.

Já a Ourivesaria Costa, instalada no número 153 da rua Ferreira Borges, em plena Baixa da cidade, também pretende ser reconhecida como loja com história. Segundo os documentos entregues na candidatura, o estabelecimento “foi fundado em 1936 e encontra-se em actividade, ininterrupta, tendo como objectivo o comércio de ouro, prata e relógio”. Foram, ainda, entregues algumas notícias que comprovam a veracidade da informação prestada.

“Reconhecida pelos seus anéis de curso, a Ourivesaria Costa forneceu gerações de pessoas licenciadas e doutoradas com anéis e pastas de luxo”, pode também ler-se na informação técnica dos serviços municipais. Tendo como logotipo a Torre da Universidade de Coimbra, esta é uma marca identitária facilmente reconhecida. “Forneceram à Universidade de Coimbra, durante dezenas de anos (até acabar essa prática), as caixas em prata dos diplomas de licenciatura”, pode, ainda, ler-se.

A decisão será, em caso de aprovação, submetida a um período de consulta pública, de 20 dias, para que, por fim, seja elaborado o relatório final e aprovado o reconhecimento.

Recorde-se que a CM Coimbra disponibiliza, desde 2018, uma ficha de candidatura para a instrução de processos de reconhecimento e protecção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local, de forma a auxiliar os estabelecimentos ou entidades que pretendessem ver efectivado esse reconhecimento. O objectivo passa, pois, por simplificar o procedimento, para que os estabelecimentos que se enquadrem nas categorias previstas na lei, entre eles as repúblicas de estudantes de Coimbra e as lojas com história, possam desencadear, com maior celeridade e simplicidade, o seu processo de pedido de reconhecimento como entidade de interesse histórico e cultural ou social local.

Com a conclusão deste processo, a Câmara Municipal já reconheceu 23 entidades de interesse histórico e cultural ou social local.

Fonte: Campeão das Províncias

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