A Câmara Municipal de Coimbra pretende avançar com a posse administrativa da República Solar Residência dos Estudantes Açoreanos, depois de os residentes terem conhecimento de que a senhoria queria avançar para a rescisão do contrato de arrendamento e com a consequente expulsão da casa.
Segundo a autarquia, os estudantes obtiveram o conhecimento, no final de Outubro, de que havia intenção da senhoria em terminar o contrato, que está em nome de um dos fundadores, actualmente a morar nos Estados Unidos da América.
“Quem paga a renda é a associação da República e a senhoria tem conhecimento de que quem vive aqui não é esse inquilino”, afirmou à agência Lusa a residente Carolina Braga.
Os actuais residentes da República tiveram conhecimento da intenção através de antigos repúblicos, sendo que a rescisão do contrato era para ter acontecido no sábado (31), mas, face à restrição de movimentos entre concelhos por causa da pandemia, foi adiada, contou.
“Não recebemos nenhuma comunicação escrita. O contrato terá de ser ainda rescindido”, esclareceu Carolina Braga.
Em 2017, uma vistoria da Câmara de Coimbra concluiu que a república estava em risco de ruína, oferecendo perigo à segurança e saúde das pessoas, mas sem necessidade de os habitantes serem retirados.
Em Novembro de 2018, a autarquia notificou a proprietária sobre a necessidade de obras urgentes, sendo que no início de 2019 os repúblicos foram ameaçados de despejo por parte da senhoria. Os 90 dias para a senhoria realizar as obras coercivas terminaram em Setembro de 2019 e não aconteceu nada”, notou Carolina Braga, salientando que a renda foi sempre paga, apesar de apenas um terço da casa estar habitável, com seis estudantes em quatro quartos.
Segundo a estudante, face à possibilidade de o contrato ser rescindido, os repúblicos tiveram uma reunião na semana passada com serviços do Município, que lhes prometeu que iriam retomar o processo.
Questionado pela agência Lusa, o vereador com o pelouro da habitação, Francisco Queirós (CDU), explicou que, em 2019, a advogada da senhoria tentou impedir a posse administrativa.
Na altura, faltavam elementos para se avançar com o processo, situação agora diferente, estando os serviços camarários a ultimar medições e orçamentos para “em breve lançar-se a posse administrativa” do prédio, afirmou Francisco Queirós.
“Uma coisa é certa: não é possível proceder a despejo nenhum neste momento [face à pandemia] e isso protege os repúblicos e permite ganhar algum tempo. Depois, veremos se há providências cautelares, mas a Câmara vai tentar usar esse mecanismo [da posse administrativa]”, asseverou.
A advogada que representa a República, Sara Leitão, disse à agência Lusa que há uma acção de despejo a correr em tribunal há dois anos, que está suspensa por não haver qualquer pagamento em atraso, não havendo sequer julgamento marcado.
“A rescisão pode partir do titular do contrato [neste caso, um dos fundadores da república]. Agora, podem-se colocar questões, como a legitimidade do titular em resolver o contrato, visto que não é inquilino”, salientou.
A agência Lusa tentou obter esclarecimentos da advogada que representa a proprietária, mas sem sucesso.
Jornal Campeão das Províncias
Todos os direitos reservados Grupo Media Centro
Rua Adriano Lucas, 216 - Fracção D Eiras - Coimbra 3020-430 Coimbra
Powered by Digital RM