COIMBRA,24 de Abril de 2024

CHUC transpõe barreira no tratamento da insuficiência cardíaca avançada

14 de Novembro 2022 Rádio Regional do Centro: CHUC transpõe barreira no tratamento da insuficiência cardíaca avançada

Em Maio deste ano, a equipa do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Transplantação (CCT), do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), liderada por David Prieto, fez o primeiro transplante cardíaco na região Centro num doente portador de dispositivo de assistência ventricular de longa duração.

A equipa do CCT descreve o percurso de um doente, o Francisco, que em Agosto de 2020 chegou ao Serviço: “Chegou até nós um doente de 48 anos de idade, já avaliado noutros centros em Portugal e considerado não ter condições para ser transplantado ao coração devido a uma grave hipertensão arterial pulmonar (HTP), considerada irreversível.

O doente é reavaliado pela equipa da Unidade de tratamento da insuficiência cardíaca avançada (UTICA) do CHUC. Após cuidadosa revisão clínica e múltiplos exames é demonstrado que a HTP poderá ter alguma hipótese de reversibilidade, se submetido a uma assistência mecânica circulatória. Apesar de o seu coração direito apresentar alguma disfunção que compromete seriamente a exequibilidade e viabilidade deste procedimento, confia-se que haverá condições para implantar um dispositivo de assistência ventricular de longa duração como ponte para ser candidato

futuro ao transplante. Na altura, em plena pandemia, viviam-se tempos difíceis no CHUC e como o doente precisava de implantar o dispositivo rapidamente é enviado para um Centro com muita experiência nestes procedimentos em Barcelona (Hospital de Bellevitge) onde implantou o HeartMate 3 com sucesso em Outubro de 2020. Logo a seguir foi transferido para o CHUC e o seguimento que envolvia a cirurgia cardíaca e a cardiologia foi assegurado, desde então, por uma equipa multidisciplinar.”

Este tipo de dispositivos, actualmente, já são implantados no CHUC pelo Serviço de Cirurgia Cardiotorácica.

A equipa prossegue a sua explicação dando conta que “após o implante, o doente esteve sempre muito bem e cerca de seis meses depois é repetido o cateterismo direito. A hipertensão pulmonar estava quase normalizada e começavam a surgir condições para o transplante cardíaco. No entanto era preciso esperar por um coração que fosse compatível e adequado para suportar as pressões pulmonares elevadas que se iriam fazer sentir no pós-transplante. A crise ou falta de dadores prolongou a espera, mas, em maio de 2022, surgiu um coração com as condições ideais para o paciente e a equipa de CCT avançou para o primeiro transplante na zona Centro em doente portador de DAV de longa duração. A cirurgia e o pós-operatório foram um sucesso e o Francisco foi transplantado e já está em casa junto da sua família onde usufrui de uma vida plena. Esta é uma história de sucesso que reflecte bem a resiliência dos doentes e a excelência desta Instituição.”

A equipa de CCT conclui que este caso é um marco importante para o CHUC pois demonstra que “a evolução da tecnologia permite viabilizar a transplantação cardíaca em situações outrora consideradas inoperáveis tornando a lista de contra-indicações ao transplante cada vez mais reduzida. É também uma prova de que o CHUC, e neste caso a Unidade de Insuficiência Cardíaca Avançada e o Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do CHUC, estão na linha da frente no domínio da tecnologia e na inovação.”

Fonte: Campeão das Províncias

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