No Dia Mundial do Cancro, a Associação Portuguesa do Cancro no Cérebro (APCCEREBRO) torna público o artigo científico “Cancer in Portugal: epidemiological overview with a focus on central nervous system tumors”, um estudo de base epidemiológica elaborado pela associação a partir de dados oficiais do Registo Oncológico Nacional (RON), com o objectivo de alertar a sociedade para a realidade do Cancro no Cérebro em Portugal.
Apesar de representar apenas 1,4% do total de novos diagnósticos oncológicos, o Cancro no Cérebro e outros tumores do sistema nervoso central têm um impacto desproporcionadamente elevado em termos de mortalidade, incapacidade neurológica e perda de qualidade de vida, sendo uma das doenças oncológicas mais devastadoras para os doentes e para as suas famílias.
Um retrato rigoroso da realidade nacional
De acordo com os dados do RON 2022, analisados neste estudo, foram diagnosticados em Portugal 832 novos casos de tumores primários do sistema nervoso central, correspondendo a uma incidência de 7,9 casos por 100 mil habitantes. A análise revela ainda:
• Maior incidência no sexo masculino, sobretudo a partir da idade adulta;
• Um forte impacto em pessoas em idade activa, com mais de 40% dos casos entre os 35 e os 64 anos
• Uma presença significativa em crianças, adolescentes e jovens adultos, que representam cerca de 14% dos diagnósticos, tornando o Cancro no Cérebro uma das principais causas de morte por cancro nestes grupos etários.
O estudo mostra também que, apesar de Portugal apresentar uma distribuição regional relativamente homogénea dos casos, o peso da doença acompanha a densidade populacional, reforçando a necessidade de respostas nacionais coordenadas.
Uma doença rara, mas profundamente incapacitante
A APCCEREBRO sublinha que o Cancro no Cérebro não pode ser avaliado apenas pelo número de casos. Muitos destes tumores, como o glioblastoma, apresentam taxas de sobrevivência a cinco anos inferiores a 10%, associadas a limitações terapêuticas significativas.
Mesmo quando o controlo tumoral é possível, os doentes enfrentam frequentemente défices motores, cognitivos, da linguagem, alterações comportamentais e epilepsia, com impacto direto na autonomia, na vida profissional e nas relações sociais. O estudo destaca ainda o enorme peso da doença em termos de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs), um indicador internacional que reflete simultaneamente mortalidade precoce e incapacidade prolongada.
Sensibilizar para agir
Com este artigo, a APCCEREBRO pretende:
• Dar visibilidade a uma doença frequentemente esquecida nos grandes relatórios oncológicos;
• Sensibilizar a população, no Dia Mundial do Cancro, para a especificidade e gravidade do Cancro no Cérebro;
• Reforçar a necessidade de mais investigação, melhor caracterização epidemiológica e investimento em inovação terapêutica;
• Alertar decisores políticos e entidades de saúde para a urgência de respostas integradas que apoiem não apenas o doente, mas também as famílias e cuidadores.
“O Cancro no Cérebro é um exemplo claro de como a incidência não reflete a gravidade real da doença. É uma patologia que rouba anos de vida, autonomia e dignidade, muitas vezes a pessoas jovens. No Dia Mundial do Cancro, queremos que esta realidade seja vista, compreendida e enfrentada”, afirma Renato Daniel, presidente da APCCEREBRO.
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