Uma investigação com participação do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) defende a utilização de simulações de conflitos e decisões éticas antes da promoção para cargos de chefia, bem como auditorias regulares e canais confidenciais de denúncia para prevenir abusos de poder nas organizações.
O trabalho, publicado no livro “Employee Experience Management for Organizational Reslience”, reuniu literatura científica internacional sobre liderança tóxica e é da autoria de Bruno Cordeiro, do ISMT, Fernando Oliveira Tavares, da Universidade Portucalense, e Pedro Marques, da Universidade de Coimbra.
Segundo os investigadores, a escolha de líderes não deve depender apenas dos resultados operacionais, económicos ou financeiros, devendo considerar também critérios como empatia, inteligência emocional, capacidade de resolver conflitos e de tomar decisões éticas.
Após a promoção, os autores recomendam avaliações a 360 graus, envolvendo superiores, pares e subordinados, auditorias regulares à liderança, comissões de ética independentes e mecanismos confidenciais e anónimos para comunicar comportamentos abusivos.
A investigação aponta como sinais de uma liderança deficiente a microgestão, o favoritismo, a comunicação insuficiente e a ausência de prestação de contas, alertando ainda para a possibilidade de pessoas sujeitas a chefias abusivas reproduzirem esses comportamentos quando chegam a posições de liderança.
Entre as propostas está também o recurso à realidade virtual e a ambientes imersivos para simular conflitos, decisões sob pressão e situações de abuso de poder, permitindo observar a reacção dos candidatos antes de assumirem funções de chefia.
Os autores alertam igualmente para os riscos associados à utilização de inteligência artificial e análise de dados, nomeadamente a vigilância excessiva dos trabalhadores e a reprodução de desigualdades através de algoritmos, defendendo que estas ferramentas devem apoiar a decisão, mas não substituir a avaliação humana.
Para Bruno Cordeiro, as organizações devem criar condições para que os erros ocorram primeiro em ambientes simulados e não directamente no local de trabalho, defendendo que a prevenção de lideranças tóxicas deve ser encarada como uma condição para sustentabilidade das empresas.
Fonte: Campeão das Províncias
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