O terreno da Infraestruturas de Portugal (IP) junto à Estação Nova de Coimbra deve passar para a Câmara Municipal com o objectivo de criar habitação “a custos acessíveis”, segundo referiu ontem a presidente da autarquia.
“As Infraestruturas de Portugal [IP] já instruíram o processo e a Estamo [empresa que gere património do Estado] já está capacitada para o avaliar”, disse esta terça-feira o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que falava durante a inauguração da circulação do Metrobus até Coimbra-B e Praça da República, operação que começou na quinta-feira.
Segundo o responsável da tutela, o terreno situado junto à antiga linha ferroviária entre Coimbra-B e a Estação Nova que foi desactivada para dar lugar ao Metrobus poderá ter um “desenvolvimento”, de forma a garantir que o investimento em transportes tem “esta capilaridade mais fina de transformar o território urbano”. “Este terreno vai ser palco dessa transformação”, salientou o ministro, que discursava na agora desactivada Estação Nova.
Nesse sentido, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, afirmou que o objectivo do processo desencadeado pelo Governo passa por entregar o terreno junto à Estação Nova ao município para ser feita uma “unidade de execução”.
De acordo com a autarca, haverá um “grande foco para a habitação”, nomeadamente “habitação a custos acessíveis”, mas também com uma percentagem dedicada a serviços, para que possa “haver supermercados, espaços de cultura e cafés”.
A13 e o IP3
Sobre esse concurso, no troço entre Oiã e Soure, o ministro afirmou que a consignação estará para breve e, abordando os investimentos na região, afirmou que a IP deverá consignar também no espaço de dias ou semanas o concurso do estudo para a conclusão da A13, seja no nó de ligação ao IP3, a norte, seja a sul, na zona de Almeirim.
Com três autocarros reservados para uma viagem simbólica de Metrobus até Coimbra-B, a cerimónia acabou por ser encurtada com um protesto convocado pela União dos Sindicatos de Coimbra e do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), que receberam, com apupos, políticos e convidados na chegada à estação ferroviária.
Cerca de 30 pessoas gritaram contra o preço do passe intermodal, a ausência de gratuitidade na ligação entre Coimbra-B e a Estação Nova, assim como contra a possibilidade de privatização dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).
No seu discurso na cerimónia, Ana Abrunhosa reconheceu que a última semana “foi muito difícil para muita gente” em Coimbra, face às mudanças de linhas de autocarros e alterações de circulação no centro da cidade.
“Preocupações merecem resposta e não merecem um encolher de ombros”, disse, vincando que o Município vai acompanhar todas as mudanças e “corrigir aquilo que não estiver a funcionar”. Para a autarca, as mudanças recentes não são “sobre transportes, mas sobre que cidade” Coimbra quer e que incentivos cria para a transformar. “Rua onde se caminha não é um capricho estético”, vincou.
Leonel Serra, presidente da Metro Mondego, anunciou que no final do primeiro trimestre de 2027 está prevista a abertura da fase C, a ligação aos Hospitais da Universidade de Coimbra e ao Hospital Pediátrico, com deslocações mais rápidas e cómodas para utentes e profissionais.
O responsável adiantou, ainda, que o Governo mandatou a Metro Mondego para realizar estudos, projectos e demais tarefas consideradas necessárias à expansão do sistema de mobilidade do Mondego, em dois novos troços urbanos na cidade de Coimbra, nos eixos Coimbra-Condeixa Nova e Coimbra-Cantanhede-Mealhada.
Fonte: Campeão das Províncias
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