COIMBRA,3 de Maio de 2026

Infrassons das eólicas podem afectar saúde das populações num raio de 15 quilómetros

4 de Dezembro 2021 Rádio Regional do Centro: Infrassons das eólicas podem afectar saúde das populações num raio de 15 quilómetros

Um estudo de João Almeida, docente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC), mostra que os ruídos não audíveis provocados pelas turbinas eólicas podem afectar a saúde das populações residentes até, pelo menos, 15 quilómetros de distâncias dos parques eólicos. A investigação foi apresentada em livro, no âmbito da colecção “Ciência, Saúde e Inovação – Teses de Doutoramento”, editada pela ESTeSC-IPC.

Após um estudo realizado nas imediações (até uma distância máxima de 15 quilómetros) de três parques eólicos do distrito de Leiria – Cela (Alcobaça), Marvila (Batalha) e Chão Falcão (concelhos de Batalha e Porto de Mós) – João Almeida concluiu que “a distância não é um factor relevante na redução dos níveis de ruído, em especial dos infrassons e do ruído de baixa frequência”. O impacto pode, no entanto, ser afectado pela velocidade do ar: quanto maior a velocidade do ar, maior a pressão sonora. O perfil do terreno, a existência de grutas, a proximidade à costa e a existência de florestas são outros factores com influência na propagação do ruído.

Apesar dos avanços tecnológicos, as turbinas eólicas ainda produzem infrassons resultantes da sua mecânica e aerodinâmica, assim como infrassons de ruído e baixa frequência, que podem afectar a qualidade de vida das populações humanas e animais. Este impacto pode ser dividido em duas categorias: uma mais ligeira, que se caracteriza por mal-estar geral e prolongado, com dores de cabeça, dificuldade em dormir, falta de concentração ou irritabilidade, entre outros sintomas; e outra mais grave, com problemas pulmonares (muita tosse e dificuldade em respirar), apneias, arritmias cardíacas ou espessamento do pericárdio, a dupla membrana que envolve o coração.

“É importante adoptar medidas de gestão territorial tomando em conta a protecção da saúde pública, particularmente na instalação de parques eólicos a distâncias consideradas seguras, incluindo os infrassons e o ruído de baixa frequência em estudos de impacte ambiental”, aponta João Almeida, alertando para “um lapso na legislação portuguesa”, que não prevê a medição e análise de infrassons nos estudos de impacto ambiental necessários à instalação de parques eólicos.

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