O movimento Cidadãos por Coimbra (Cpc) defendeu, esta quinta-feira, uma alteração profunda das carreiras do Serviço de Transportes Municipalizados Urbanos de Coimbra (SMTUC) para as adaptar às necessidades da população e aumentar as taxas de ocupação.
Para o candidato pelo movimento à Câmara de Coimbra, Gouveia Monteiro, os circuitos têm de ser definidos em função “das necessidades das pessoas, da rede escolar e dos equipamentos de saúde”, e os horários têm de se articular com o futuro ‘MetroBus’.
“Temos de ter um sistema de transportes cada vez mais viável”, disse o cabeça de lista independente, que hoje de manhã denunciou a supressão de carreiras na zona de Chão do Bispo, na encosta nascente da cidade, com um desnível acentuado para as pessoas chegarem ao centro da cidade.
Segundo a moradora Margarida Fonseca, os SMTUC suprimiram recentemente três carreiras naquela zona, entre elas a das 09h30, que prejudicam os residentes, sobretudo a população mais idosa.
“Contactei os serviços na terça e disseram-me que hoje iam ser retomados os horários suprimidos, porque iam começar as aulas, mas a verdade é que o autocarro voltou a não aparecer e a prometida retoma não aconteceu”, frisou.
“Fiquei muito indignada, porque nestes 40 anos que tem a carreira há cerca de oito anos acrescentaram três horários e nós pensámos que poderia ser uma melhoria com perspetivas de regularizar estes horários, mas não”, acrescentou.
O candidato do Cpc à Assembleia Municipal, João Malva, salientou que a população está cada vez mais envelhecida e situações como esta “roubam a vida à pessoas, que com a falta de mobilidade são forçadas a ficar em casa”.
Salientando que esta situação podia ser ilustrada noutros locais da cidade e do concelho, onde “nem sequer” chegam os transportes municipais, Gouveia Monteiro considerou que a supressão de carreiras radica numa empresa “mal gerida”, além da “má organização urbana geral da cidade, com os empregos todos no centro e habitação na periferia, e cada vez mais necessidades de deslocações pendulares”.
O candidato do CpC revelou que os últimos relatórios apontam para uma taxa de ocupação dos autocarros de 11%, “quando se podia estar com taxa de 30 ou 40%, praticamente com a mesma despesa se se tivesse uma rede eficiente e viável”.
De acordo com Gouveia Monteiro, desde os finais da década de 1980 até ao período anterior à pandemia da covid-19, os SMTUC perderam dois terços dos seus passageiros, passando de 36 milhões para menos de 12 milhões de viagens.
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