COIMBRA,11 de Julho de 2026

Covid-19: casais com filhos expressam menor perturbação emocional na pandemia

21 de Maio 2020 Rádio Regional do Centro: Covid-19: casais com filhos expressam menor perturbação emocional na pandemia

Os resultados preliminares de um estudo internacional (COVID-19: Estudo Transcultural sobre os Efeitos de Stressores Globais em Casais), que o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra integra, conclui que 74,3% dos/as participantes estão muito preocupados/as com a pandemia, sendo que 22,6% indicam mesmo estar extremamente preocupados/as. 66,6% consideram que a sua vida foi grandemente afectada pela COVID-19, com a agravante de que as pessoas em teletrabalho (63,5% da amostra) consideram, com maior predominância, que a pandemia afectou mais significativamente a sua vida. São igualmente as pessoas em teletrabalho que mais acreditam que a pandemia vai durar menos tempo.

Este estudo revela que os sintomas de stresse, ansiedade e depressão aumentaram significativamente durante o período pós-pandemia, quando comparados com o período pré-isolamento social. Em termos de stress verifica-se que 11.5% da amostra revela sintomas moderados a severos (comparativamente a 4.6% antes do período de isolamento); ao nível da ansiedade verifica-se que 28.2% revela sintomas moderados a extremamente severos (comparativamente a 23.6% antes do período de isolamento); e ao nível da depressão 16% dos/as participantes releva sintomas moderados a extremamente severos (comparativamente a 14.2% antes do período de isolamento). Apesar do agravamento de sintomas se observar nos três estados emocionais, o stresse é o que aumenta mais significativamente. Este resultado é expectável considerando que o stress é uma reacção imediata à crise.

De realçar que são os/as participantes com filhos (47.2%) que reportam significativamente sentir globalmente menor perturbação emocional global e menor ansiedade e depressão, independentemente da idade dos filhos

Observa-se ainda que quanto maior é a satisfação com a relação conjugal menores são os níveis de depressão e stresse, relação esta que se verifica antes e depois da pandemia. Por sua vez, a satisfação conjugal está positivamente associada com a sensação de controlo e a percecção de que se compreende a situação actual, sugerindo estes resultados que a satisfação conjugal poderá funcionar como um factor protector para uma visão mais positiva/adaptativa face à situação.

O levantamento de dados e informações durante a crise pandémica é muito relevante, de forma a obter um retrato do impacto individual e conjugal. Mas mais importante é a possibilidade de recolher informação em vários momentos ao longo do tempo, pelo que será dada continuidade a este estudo em Portugal, através de uma abordagem longitudinal. Os participantes deste estudo serão convidados a participar em momentos distribuídos ao longo do tempo, com o objectivo de obter uma compreensão mais fiel das flutuações dos impactos que a COVID-19 tem sobre o bem-estar individual e conjugal. À medida que os resultados deste estudo forem emergindo, serão sistematicamente partilhados com a comunidade.

O Relatório Preliminar com resultados mais alargados, relativo a Portugal, pode ser consultado na íntegra no site do Centro de Estudos Sociais em: http://www.ces.uc.pt/ficheiros2/files/RELATORIO_Resultados Preliminares sobre Impacto Psicossocial da COVID-19 em Portugal.pdf

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