A investigação da Universidade de Coimbra (UC) sobre a forma como a informação é mapeada no cérebro humano, e que foi desenvolvida pela equipa do Proaction Lab – Laboratório de Percepção e Reconhecimento de Objectos e Acções da FPCEUC, é o tema de capa de Agosto da revista internacional “Cortex”.
Esta que é uma das mais conceituadas publicações internacionais da área da Neurociência Cognitiva, decidiu distinguir nesta sua edição (volume 117) a investigação intitulada “Action at a distance on object-related ventral temporal representations”, liderada por Jorge Almeida e que conta com a colaboração do Departamento de Psicologia da Universidade de Carnigie Mellon (dos EUA).
Seguindo a linha de investigação do projecto “ContentMAP” – que procura estudar a forma como a informação é mapeada no cérebro humano e recebeu em 2018 um financiamento de 1,8 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação – demonstra “o modo como o cérebro funciona como uma rede, partilhando informação de forma ultrarrápida”. Neste estudo, os investigadores verificaram que, “embora seja processada numa determinada área do cérebro, a informação visual que adquirimos ao observar objectos, é gerida também em áreas fisicamente distantes”, revela a UC.
“Esta descoberta é importante porque veio confirmar que o processamento da informação não é apenas local, mas sim global. Este processo depende de outras áreas mais afastadas que processam o mesmo tipo de informação”, aponta Jorge Almeida.
Para além da co-autoria do artigo, a equipa do Proaction Lab foi também responsável pela concepção da imagem que faz capa desta edição da “Cortex”, ilustrando um modelo de cérebro constituído por fios [em que o eléctrodo representa o estímulo e a luz é a resposta a esse estímulo, numa região afastada do cérebro].
“O conceito que melhor explica a nossa investigação é o do funcionamento do cérebro em rede, que está evidenciado na imagem pelos cabos electrónicos que o constituem”, explica o investigador e director do Proaction Lab.
No estudo foram utilizadas técnicas de neuro-estimulação não-invasivas para temporariamente activar uma área do cérebro. Utilizando o método de ressonância magnética funcional, mediram-se as respostas neuronais nas restantes áreas dessa mesma rede.
“O modelo ilustra ainda que o local onde é feita a estimulação gera uma resposta numa zona mais afastada, demonstrando que as áreas estão conectadas”, completa Jorge Almeida.
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