O Metrobus expandiu-se hoje (10) até Coimbra-B e à Praça da República, numa nova fase da operação que alterou a circulação na Baixa de Coimbra e mais de 20 linhas dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), gerando dúvidas, congestionamento e reacções divididas.
A Rua da Sofia passou a ter circulação reservada a transportes públicos e acessos locais. A faixa de rodagem foi estreitada e delimitada por canteiros, com parte do espaço libertado a ser utilizado para a instalação de esplanadas.
“O silêncio vale ouro”, afirmou Aguinalda Amaro, proprietária do Café Sofia, que, apesar das dúvidas iniciais, se mostrou convencida pela mudança.
Uma trabalhadora de outro estabelecimento admitiu que a nova configuração poderá beneficiar o comércio da Rua da Sofia, mas receia problemas nas vias envolventes. Já Maria Augusta, florista, classificou a alteração como negativa e criticou a falta de esclarecimento sobre cargas e descargas.
Também Miguel Braga, comerciante na rua, considerou que a retirada do trânsito poderá prejudicar parte do comércio e agravar a circulação nas artérias próximas.
Na Rua de Saragoça, que passou a funcionar apenas no sentido descendente entre as ruas Guerra Junqueiro e Montarroio, registaram-se de manhã filas que se prolongavam até à Rua de Aveiro, indicada pelo município como uma das principais alternativas para quem chega da Casa do Sal em direcção à Praça da República.
As mudanças afectaram igualmente os SMTUC, com mais de 20 linhas alteradas e cerca de 14% dos passageiros diários potencialmente abrangidos pela reorganização.
Na nova paragem da Avenida D. Sesnando Davides, também condicionada a transportes públicos e acessos locais, vários passageiros procuravam esclarecimentos junto de funcionários dos SMTUC.
Maria Fernanda, utilizadora diária, receava não chegar a horas ao trabalho, depois de na véspera ter precisado de recorrer à boleia de uma colega. Fernanda Sousa, de 65 anos, criticou a ausência de autocarros entre o Arnado e o Mercado e admitiu que as alterações possam afastar passageiros dos transportes municipais.
Sílvia Miranda, que aguardava a linha 19, descreveu a manhã como confusa e temia chegar atrasada, embora tenha admitido dar o benefício da dúvida ao novo modelo.
A reorganização procura evitar a sobreposição entre a rede dos SMTUC e o Metrobus, passando o Arnado, a Praça da República e a zona do Estádio/Solum a funcionar como pontos de articulação entre os dois serviços.
No Arnado, os passageiros terão de percorrer a pé cerca de cinco minutos entre paragens, enquanto na Solum o transbordo deverá implicar uma deslocação de aproximadamente três minutos.
Face à dimensão das alterações, a Câmara de Coimbra lançou uma campanha de esclarecimento, disponível em www.cm-coimbra.pt/comovou, e recomendou o recurso a aplicações de navegação durante a adaptação ao novo esquema de circulação.
Campeão das Províncias com Lusa
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