COIMBRA,17 de Julho de 2024

Junta de Miranda do Corvo contra exploração de caulinos na freguesia

30 de Dezembro 2023 Rádio Regional do Centro: Junta de Miranda do Corvo contra exploração de caulinos na freguesia

A Junta de Freguesia de Miranda do Corvo está contra a concessão de uma área florestal superior a 21 hectares para exploração de caulinos, devido aos impactos ambientais e humanos.

Numa moção aprovada por unanimidade na quarta-feira à noite, a Assembleia de Freguesia repudiou a atribuição da concessão e exploração, que vai abranger precisamente o local para onde estava previsto o futuro parque de campismo da freguesia (concelho de Miranda do Corvo).

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia, João Paulo Fernandes, disse que o seu Executivo tem em marcha o projecto para uma parte da área abrangida pela concessão, estando na fase de contactos com os proprietários dos terrenos.

O autarca adiantou que a moção pretende alertar as populações para esta “grave situação” de extracção de caulinos, que “tem um impacto negativo no meio ambiente e nas comunidades locais”.

“Estamos a accionar o despertador e não vamos ficar por aqui”, assegurou João Paulo Fernandes, salientando que a Junta de Freguesia está a analisar o que a Lei permite para travar o avanço do processo, que depois de vários anos parado foi retomado no primeiro trimestre do ano passado.

O requerimento de uma empresa de exploração de inertes (areias e britas) à Direcção-Geral de Energia e Geologia para a atribuição de direitos de exploração de depósitos minerais de caulino em 149 hectares na zona do “Vale do Arinto-1” e 129,22 hectares na concessão “Lousã-Miranda do Corvo” foi apresentado a 15 de Fevereiro de 2022.

A moção aprovada pela Assembleia de Freguesia alerta para “a degradação do solo, uma vez que a extracção resulta da remoção de grandes quantidades de terras, originando graves danos à qualidade e fertilidade do solo, dificultando a sua regeneração, levando à erosão dos solos e ao assoreamento dos rios, impactando negativamente a qualidade da água”.

O documento adverte igualmente para o grave problema da desflorestação, já que “a zona identificada vai obrigar ao abate de milhares de árvores, eliminando uma zona verde e resultando na perda de habitats e biodiversidade”.

Chama também a atenção para a “contaminação das linhas de água, mais preocupante, quando no Monte Trigo [zona abrangida] existe uma nascente de água potável, que é utilizada para consumo humano, está ligada à rede de distribuição de água à aldeia das Meãs”.

A moção refere ainda para “os impactos ao nível da escavação, ruído, empoeiramento, inalação de poeiras, contaminação de recursos hídricos, resíduos industriais sólidos, remoção de solos e desmatação, desafectação de solos RAN e REN [reservas agrícola e ecológica nacionais], bem como impacto geral na qualidade da ar, água e solo, que afectam indelevelmente as populações”.

O Município de Miranda do Corvo, que em 2022 emitiu despacho negativo às pretensões da empresa de exploração de inertes, vai pronunciar-se sobre a situação na próxima semana, numa conferência conjunta com a Junta de Freguesia.

Fonte: Campeão das Províncias

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