
As Caixas de Crédito Agrícola de Pombal e Serras de Ansião vão avançar para um processo de fusão, que deverá ocorrer no próximo ano, anunciaram as duas instituições em comunicado.
A necessidade de ganharem escala e responderem às exigências do regulador, partilhando os seus recursos, nomeadamente os humanos, estão na base da decisão, adianta o documento, sublinhando que “o processo não decorre de qualquer deficiência de cariz económico-financeiro”.
Os trâmites legais para a operação estão em curso e esta semana mesmo foram explicados aos associados de ambas as instituições.
Em perspectiva está assim o surgimento de uma nova Caixa a partir das duas existentes, com nova denominação e estrutura organizacional, uma situação líquida superior a 80 milhões de euros e um activo “na ordem dos 700 milhões de euros”, abrangendo os concelhos de Pombal, Ansião, Condeixa, Soure e Penela, resultando na maior Caixa Agrícola do país.
“As razões de ser deste projecto assentam em duas vertentes. Por um lado, o crescente nível de exigência em termos legais e organizacionais, nomeadamente o resultante de normativos emanados da Autoridade Bancária Europeia, do Banco de Portugal e da Caixa Central, com acréscimo de operações de reporte ao regulador, coloca sérias dificuldades operacionais a instituições de crédito de natureza cooperativa e de cariz local e dimensão reduzida face ao que ocorre no resto do mercado bancário. Tem-se revelado difícil cumprir todos os requisitos exigidos, particularmente a segregação de funções, e ao mesmo tempo dedicar o tempo e a atenção necessários ao negócio das mesmas no contexto da proporcionalidade e especificidade organizacional do Crédito Agrícola. Por outro lado, a união das duas Caixas Agrícolas permitirá uma melhor afectação de recursos, especialmente os humanos, às novas exigências do mercado bancário decorrentes, quer dos requisitos legais e prudenciais, quer pelo momento histórico marcado pela redução das taxas de juro de referência a mínimos históricos, proporcionará também maior capacidade de intervenção no mercado, nomeadamente no sector empresarial, porque a união faz a força”, refere o comunicado a que o TERRAS DE SICÓ teve acesso.
A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pombal, liderada por Diamantino Leal, já é considerada como a maior caixa do Crédito Agrícola, tendo no ano passado comemorado o centenário de existência. Possui balcões numa dúzia de freguesias do concelho pombalense, bem como nos municípios de Condeixa, Penela e Soure.
A instituição ansianense, em actividade desde Agosto de 1992 e liderada por Ilídio Baptista, conta com balcões na vila (sede), no Parque Empresarial do Camporês (Chão de Couce) e Santiago da Guarda, os quais se devem manter em funcionamento após a fusão, que deverá estar concluída até ao final do próximo ano.
Os órgãos sociais de ambas as Caixas, que deveriam ir a eleições em breve, vão manter-se em funções até à finalização do processo em curso.
As duas entidades bancárias fazem parte do Sistema Integrado do Crédito Agrícola Mútuo, o qual é formado pela Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e pelas Caixas de Crédito Agrícola Mútuo suas associadas.
O grupo Crédito Agrícola, que obteve lucros de 150,2 milhões de euros em 2017, é composto, além da Caixa Central e das empresas que detém, como seguradoras, por cerca de oito dezenas de caixas espalhadas pelo país, contudo, estando igualmente em curso um movimento de fusões para reduzir este número.
“As caixas muito pequenas à luz das novas exigências regulamentares terão de se fundir para ganhar escala”, explicou o presidente do grupo, Licínio Pina, em Março passado, acrescentando que o objectivo das fusões é também reduzir os custos e melhorar a eficiência do Crédito Agrícola, único banco com capitais exclusivamente nacionais.
LUIS CARLOS MELO
Todos os direitos reservados Grupo Media Centro
Rua Adriano Lucas, 216 - Fracção D Eiras - Coimbra 3020-430 Coimbra
Powered by Digital RM