COIMBRA,24 de Maio de 2024

Ao entrar em Coimbra o Natal deste ano passou pela Casa dos Pobres

17 de Novembro 2023 Rádio Regional do Centro: Ao entrar em Coimbra o Natal deste ano passou pela Casa dos Pobres

Foi muito participado, confortável e generoso o Magusto/Feira realizado no final da semana passada na Casa dos Pobres, iniciativa que teve o apoio e empenho do movimento rotário de Coimbra na totalidade dos seus três Clubes e também do Lyons da cidade.

Nenhuma destas instituições é insensível, longe disso, às injustiças do mundo quando divide a sociedade entre quem precisa, quem precisa muito, precisa pouca ou nada. Por isso, faz parte da razão de ser destes Clubes, da motivação social dos seus membros, estar atento à realidade que nos rodeia e, de forma discreta mas não indiferente, sinalizar a sua existência através de gestos que, podendo não ser carregados de bens materiais, transportam consigo gestos de nobreza reconfortante. E promover e apoiar um magusto na Casa dos Pobres, instituição de solidariedade social muito específica e já “velhinha” em Coimbra, transmitindo a quem dirige a Casa e a quem nela passa os seus dias, a tranquilidade que lhes torne mais leve as preocupações que a idade traz sempre consigo, muitas e tantas vezes de bolsos vazios.

UM INÍCIO TÃO DISTANTE E AINDA TÃO PRÓXIMO

A Casa dos Pobres é esta realidade que O Despertar bem conhece, até porque fomos vizinhos muitos anos ali algures no Pátio da Inquisição, e fizemos – nós, Jornal – caminho conjunto de longos anos, sempre de mãos dadas. Noticiando, apoiando a criação da instituição, lembrando a sua existência à Coimbra menos atenta, recordando às entidades alguns deveres que às vezes se escondem nas algibeiras do esquecimento. Protestando também, quando se fazia tarde para o cumprimento desses deveres. Foi — que felizes nos sentimos por isso !… O Despertar o mensageiro único dessa fase, até porque outras publicações regulares ao tempo não havia por cá. E fomo-lo pela mão, pela pena, pela consciência de boa gente de Coimbra que nestas páginas verteram protestos e desânimos; alertaram consciências; aplaudiram gestos, decisões e apoios; noticiando a nobreza contida em atitudes discretas com que, de forma sorrateira, tanta gente e muitas empresas, levavam debaixo do braço pedaços de bondade que, com uma côdea bolorenta que fosse, já mitigavam a fome que aparecia de mansinho, pela calada da indiferença ao que se tinha ou não tinha.

PASSO A PASSO…

E assim, connosco, mas também com tantos mais, todos os Jornais da cidade a partir de certa altura, a Casa dos Pobres se foi mantendo e se foi erguendo até ser hoje uma das catedrais onde Coimbra deposita e conserva a generosidade de muitos dos seus, dois ou três que aqui recordamos por serem dos mais recentes, mais ousados, mais combativos, mais Casa dos Pobres. O Engenheiro Augusto Correia, homem prestigiado e autarca dedicado, com certeza. Foi grande na Casa dos Pobres. Muito grande. E feliz também, quando encontrou em Aníbal Duarte de Almeida, há meia dúzia de anos falecido, o timoneiro a quem a natureza encarregara de passar a ponte, arrancando a Casa dos Pobres da indiferença de parte significativa da cidade e do espaço gélido do Pátio da Inquisição, trazendo parte dessa parte consigo, mobilizando-a, dando-lhe a ler páginas bíblicas da generosidade, muitas deles escritas pelo seu próprio punho nas páginas do Despertar e do Diário de Coimbra. Quem se não lembra daqueles almoços que grupos de magistrados a trabalhar em Coimbra, e por si sensibilizados, iam fazer à Casa dos Pobres, com o único intuito de ali repartirem um pouco de seu e de si. Onde, num qualquer outro algures, gestos destes aconteceram? Mas muito para além desta simbólica sinalização: tanta empresa envolvida e tão poucas ainda; tantos gestos de pessoas singulares. Tantas consciências despertadas por todo esse mundo que, quando se deixava adormecer, acordava ao toque da sineta de Aníbal de Almeida. Sim, do Aníbal. Que à Casa dos Pobres viabilizou instalações novas e dignas, assegurando que todos os Natais sejam Natal também ali. Sim, o Aníbal, sim. Exactamente aquele que, apoiado por uma empresa que Coimbra deverá respeitar por toda a vida, tornou possível que a Casa dos Pobres tivesse a certa altura a sua primeira Consoada com bacalhau. Nome da empresa? Para quê? É mesmo preciso?

Mas muitos mais fizeram esse percurso e a Baixa de Coimbra tem nas paredes da instituição o rosto de tantos que tanto se deram àquela Causa e àquela Casa. Todos eles muito bem continuados pelos dirigentes actuais, presença constante, olhos penetrantes na gaveta do pão, não vá ele faltar. Para que não falte, tome-se o suor e a preocupação por companheiros de tanta vez. E enquanto Luisas Carvalho houver, Maximinos Morais se continuarem, Aurélios Lopes resistirem e outros demais se forem mantendo… e enquanto a nobreza de todo aquele pessoal se afirmar em fatias de bondade e carinho…. Enquanto estes todos e muitos mais assumirem o farol da solidariedade a custo zero, não haverá Natal que não chova nem Consoada sem bacalhau.

VENHAM DAÍ….

Foi ali, naquele chão de limpeza sempre mantida, naquele espaço cinzelado a pinceladas de solidariedade, que o Natal deste ano deu as boas vindas no sábado da semana passada. Cento e muitas pessoas, rostos felizes, gente de bem. Esvaziada a sala, mesa posta para mais outros que possam e queiram vir. Um festa de Natal ali realizada – todos os anos se fazem ali algumas e este ano há lugar para muitas mais — ali realizada, dizíamos, sabe a bolo rei, sabe a aconchego. Sabe a afecto, sabe a amigos. Sabe-se lá se para muita gente não saberá também a mais Alguém.

Lino Vinhal

Texto publicado na edição em papel de “O Despertar” de 17 de Novembro de 2023

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